Fim de um mundo

A proximidade do final do ano leva as tradições espirituais a pensar no que seria a meta da história, o fim para o qual vivemos e lutamos. No tempo antigo, essa idéia tomava a imagem de “fim do mundo”. Vários mitos falam sobre isso. Alguns prevêem um dilúvio que inunda tudo. Outras imaginam que a terra se acabará pelo fogo. A própria Bíblia, inserida na antiga cultura judaica, não escapa desse assunto. No Antigo Testamento, os profetas denominam o “dia do Senhor” o tempo do julgamento final e de um acerto divino sobre a história. Conforme os evangelhos, Jesus tomou esse tema para um de seus discursos (Mt 24, Mc 13, Lc 21). As Igrejas antigas lêem esses trechos do evangelho no começo do “tempo do Advento”, as quatro semanas que antecedem o Natal. Lidos ao pé da letra, esses textos provocam medo e contêm uma ameaça. Há quem interprete as guerras e desastres ecológicos atuais como se tivessem sido previstos na  …………………

Bíblia. Se tudo está determinado, não há como se defender. Ao contrário, muitos crentes e não crentes sabem que a história tem sua autonomia. A presença divina não é para destruir e sim para renovar. Com seu senso de humor, Vinícius de Moraes dizia em uma de suas canções: “Se é para desfazer, por que é que fez?”. Se, por acaso, Deus nos livre, o mundo vier a sofrer um cataclisma e se acabar, isso acontecerá não por decisão divina e sim por culpa do ser humano que fabrica artefatos nucleares capazes de destruir a humanidade e todo o planeta. A destruição do mundo não é projeto de Deus e não foi isso que as profecias anunciavam. Jesus nunca falou do fim do mundo e sim de um mundo. Ele profetizou não o fim do planeta terra e sim de um tipo de sociedade dominante e decadente que tinha mesmo ser vencida. Para quem, naquela sociedade, era oprimido, o anúncio da destruição daquela velha ordem e a instauração de uma nova realidade mais justa e amorosa só podia ser uma boa notícia. Era um verdadeiro evangelho. Por isso, conforme Lucas, Jesus conclui o anúncio do fim daquele mundo dizendo: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se, ergam a cabeça e se alegrem, porque é a libertação de vocês que se aproxima” (Lc 21, 28).  Os evangelhos usam as mudanças cósmicas como símbolos de transformações sociais. Dizem que o sol perderá seu brilho, se fará noite em pleno dia, a terra tremerá e haverá uma convulsão planetária. Tudo isso para significar que haverá uma mudança profunda. Conforme os mesmos textos, isso aconteceu na tarde em que Jesus morreu na cruz. Ao entregar sua vida, Jesus pôs fim a um mundo antigo e inaugurou um mundo novo. A renovação de toda a criação começou ali. Ainda não é a instauração definitiva do projeto divino no mundo. Podemos crer que essa mudança será inexorável, ainda que atualmente seja imperceptível. O amor divino inspira, mas não realizará essa transformação estrutural do mundo e da sociedade sem ser através de nós e de nossa ação solidária e unida. Por isso, Paulo escreveu aos cristãos de Roma: “Não se conformem com este mundo. Cuidem de se transformar pela renovação de suas mentes para discernir qual é a vontade divina, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12, 2). Essa nossa transformação interior é como semente e base da transformação do mundo.

Por: Marcelo Barros é Monge Beneditino e Escritor

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Natal – nova casa!

Já é novembro. Mês passado cumprimos o nosso dever de votar. E votamos pensando na comunidade em irmãs e irmãos: votamos em pessoas que podem trabalhar repensar a cidade: suas favelas, seu transporte coletivo, sua saúde, suas escolas …. Agora é hora de pensarmos o natal. É o nascimento do Filho, enviado pelo Pai, com as bênçãos do Espírito Santo. Deus comunitário, Deus amoroso, o Deus que quer: nós vivendo o céu aqui na terra. Então, o natal é um momento de profunda seriedade de mudança de vida para nós. Mas o comércio, as lojas, os shoppings se encarregam de colorir o natal como se fora uma época só de vendas, só de livro, sem orações, sem reflexões e sem ……..  clique aqui é leia +

cuidado com os mais pobres, com os mais simples, com os que estão sofrendo muito. Para aquelas e aqueles em que há descobertas de novos caminhos, de verdadeira felicidade que inclui amor ao próximo e à próxima (não só de nossa família), há encontro, há sentido profundo do Natal, nascimento de Jesus, nosso libertador. Nossa oração maior é que possamos na mudança de vida (conversão) mostrar que podemos ser fermentos na massa, sal para temperar a comunidade. Que Deus nos ajude a amar muito os irmãos, as irmãs, o planeta, as aves, as árvores, os bichos, para que, neste final de 2012, possa haver uma marca no mundo: retomada do caminho que nos leva à casa do Pai. Os sinos de dezembro bimbalharão no Natal – e sorriremos com nova vida. Planeta renovado! É a nossa nova casa!
Por: Geraldo Faria Campos (Professor aposentado da UFG).

As tempestades da vida podem ser acalmadas?


Quem nunca viveu ou passou por uma grande tempestade? Acredito que todos, menos aqueles que não nasceram ainda. Sabemos o quanto elas por onde passam causam grandes estragos derrubam casas, afunda navios, inundam residências, destroem cidades, enfim, provocam muitas mortes. E em nossas vidas? Já passamos por “tempestades”? Acredito também que sim! Mas a grande questão é a seguinte: Como sobrevivemos a elas? Com calma ou agitação? Sábios são os ensinamentos dados por Jesus no Evangelho de Marcos de como superar tempestades mortais com serenidade. Relata esse Evangelho que   ………..
Jesus estava dentro de uma barca em alto mar (lago de Genesaré) “dormindo na popa sobre um travesseiro” (Mc 4,30) junto com seus discípulos. Em determinado momento dessa navegação, “levantou-se um vento (tempestade), as ondas se arremessavam contra a barca, que estava a ponto de afundar e mata-los (Mc 4,37). Pelos estudos que nós teólogos realizamos acerca da Sagrada Escritura, sabemos que a grande maioria dos discípulos de Jesus era pescadores especialistas, acostumados as mais diversas bravuras do mar, diferentes de nós que não temos tais experiências. Mas, o Evangelho relata ainda que eles ficaram apavorados com tal tempestade, a ponto de acordar Jesus que estava dormindo tranquilamente: “ – Mestre, não te importa que naufraguemos?” (Mc 4,38). Imediatamente, Jesus que estava deitado, levantou-se (posição de “luta”, de prontidão pra vida) e com atitude de quem sabe enfrentar tempestades sem apavoramento, ordenou ao mar: “ – Cala-te, emudece!”. Conta Marcos que:  “o vento cessou e sobreveio uma calmaria perfeita” (Mc 4,39).  Ainda diz o mesmo evangelista, Jesus exortou seus discípulos acerca de: suas covardias, medos e de como eles encararam de maneira imperfeita àquela tempestade, totalmente intranquilos  Assim, através do magnífico relato do Evangelista Marcos, aprendemos com Jesus mais um ensinamento, que é enfrentar tais tempestades rotineiras em nossas vidas com tranqüilidade. Vimos dois exemplos, formas diferentes, uma dos discípulos (medo, angustia, pavor) e a outra de Jesus (prontidão, coragem e autoridade). Fica o questionamento para mim e pra você leitor, qual é o método que estamos encarando as tempestades diárias que ocorrem em nossas vidas? Com apavoramento (discípulos) ou com serenidade (Jesus)?
Por: Venerio W. 

Oração: Terapia ou ilusão?

“Uma coisa é certa: desde que não se confunda oração com a simples repetição de palavras mágicas, ou meditação com uma espécie de transe, não há dúvida de que todas as grandes figuras que marcaram espiritualmente a história da humanidade foram homens e mulheres dados à”….. 

A proclamação da morte de Deus e das religiões retorna de tempos em tempos. Como também retorna de tempos em tempos a afirmação de que as crenças são perigosas, tanto para o equilíbrio pessoal, quanto para o equilíbrio religioso. No contexto do Brasil vários episódios ocorridos ultimamente serviram de pretexto para, em outras palavras, serem ressuscitados fantasmas antigos. Confundem-se eventuais declarações ou ações infelizes de algum personagem ligado à alguma religião para tirar conclusões de cunho abrangente, quanto não totalizante. E na esteira desses epsiódios se aproveita para proclamar que “a Igreja está perdendo” espaço. Ao lado disso, porém, é  …………

preciso ser cego para não perceber que existe outra leitura não só legítima, como imposta pela verdade dos fatos. Em primeiro lugar, em que pese o fanatismo injustificável de alguns grupos religiosos, é preciso não esquecer que eles representam uma parcela mínima de uma multidão incalculável de pessoas que crêem e guiam suas vidas por suas crenças. Há outro fato ainda que não pode passar desapercebido para quem está atento a uma série de publicações recentes que tanto ressaltam o fenômeno religioso, quanto a força salutar do que denominamos de oração. Essa força é antes de tudo representada pela grande aceitação de uma série de livros que de uma forma ou de outra carregam consigo as marcas de uma espiritualidade de cunho oriental. Não menor aceitação têm livros que levam títulos como “A caminho”, Experiência transformadora da meditação; “Caminhos para a paz interior”; “Entre meditação e psicoterapia”. Especial atenção chama a conexão entre reurologia, psicoterapia, meditação e oração. Evidentemente que não vem ao caso procurar pelo “gene de Deus” ou tentar estabelecer uma relação direta entre fenômenos religiosos e certas regiões do cérebro, através de uma espécie de “capacete de Deus”, que estimularia os sentimentos religiosos, e vice-versa, sentimentos religiosos influenciariam sobre o equilíbrio psíquico. Uma coisa é certa: desde que não se confunda oração com a simples repetição de palavras mágicas, ou meditação com uma espécie de transe, não há dúvida de que todas as grandes figuras que marcaram espiritualmente a história da humanidade foram homens e mulheres dados à meditação e à oração. Meditação e oração podem ser facilidades por certas posturas corporais e mormente pela criação de um ambiente de recolhimento. Só que ambas vão além do ambiente: são uma espécie de mergulho no mais profundo do próprio ser, lá onde ele se encontra com o Criador. Nesse sentido não há dúvida de que aquilo que todas as religiões pressupõem, oração e meditação verdadeiras carregam consigo uma força terapêutica ímpar, pois ainda que nem sempre restituam a vida aos mortos, elas fazem viver mais intensamente até aqueles que se preparam para o Grande Encontro.

"Entender o verdadeiro significado da cruz"

Estou feliz de compartilhar com vocês as recentes alegrias e ansiedades da Igreja na Nigéria, que está empenhada em testemunhar Cristo diante do terrorismo popularmente conhecido como Boko Haram. Esta situação leva os cristãos nigerianos a uma reflexão e uma apreciação mais profunda do valor do martírio, estimado pela Igreja. Ao contrário da mensagem de prosperidade, os católicos nigerianos, em particular, têm vindo a compreender o verdadeiro significado da Cruz como participação na paixão de Cristo. E a própria vida se transforma em uma peregrinação de fé com o Senhor Jesus em direção ao Calvário. Ser cristão, no contexto nigeriano, vai além da participação nas missas aos domingos. Um esboço da perspectiva do fenômeno ……..
Boko Haram na Nigéria: – Vale a pena notar que os cristãos não são os únicos que perderam suas vidas por causa das bombas e tiros de Boko Haram, mas, como mostra algumas estatísticas, também muitos muçulmanos. – Nem todos os muçulmanos defendem o que o Boko Haram procura difundir na Nigéria. Muitos admiram as virtudes cristãs de amor e de paz, que segundo eles também são promovidas pelo Alcorão.- Muitos de nossos irmãos e irmãs muçulmanos desejam se converter ao cristianismo, mas não pode fazê-lo por medo de perder suas vidas. Enquanto a Igreja universal celebra o Ano da Fé, os bispos nigerianos exortam os seus rebanhos a observar o seguinte: – Nós católicos devemos exercitar a paciência em nossos contatos com aqueles que se opõem e lutam contra os nossos interesses, sem recorrer à violência e muito menos à vingança; – Devemos continuar a falar de paz com os nossos detratores, buscando maneiras significativas e maduras de diálogo que, ao longo do tempo, pode levar a paz e a concórdia duradoura; – Nossos esforços para trabalhar em favor do diálogo e da paz não devem ser interpretados como sinal de fraqueza, mas sim como um sinal da força que vem do Senhor Jesus, que é a nossa ressurreição e vida; – Devemos promover uma catequese sólida nas famílias, escolas e pequenas comunidades cristãs. Finalmente coloquemos todos os nossos esforços a favor de uma paz duradoura nas mãos de nossa mãe bendita, a Medianeira de todas as graças.
(Trad.MEM)
Intervenção “por escrito” de Dom John Ebebe Ayah, bispo de Ogoja, NigériaCIDADE DO VATICANO, terça-feira, 23 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos aqui o pronunciamento do Bispo da diocese de Ogoja, Nigéria, Dom John Ebebe Ayah, entregue por escrito, no dia 19 de outubro, aos Padres Sínodais.
Fonte: Zenit

FUTEBOL E VIOLÊNCIA

Como esperar que os jovens de uma nação não recorram à violência para alcançar alguma vitória, se seus ídolos que calçam chuteiras a ela recorrem diante de estádios lotados e de milhões de telespectadores? Chutes, calços, empurrões, cotoveladas no rosto, mão na cara, camas de gato, testadas e cabeçadas, mentiras, fingimentos e simulações, ataque por trás, pisões intencionais, jogo desonesto acontecem quase a cada partida. Depois, quando o circo pega fogo e acontece o quebra-quebra geral dentro e fora dos campos por jovens ensandecidos, fazem belos discursos e levantam faixas pedindo paz nos estádios. E se os árbitros endurecessem a ponto de jogarem seis contra cinco se fosse preciso? E se rodassem um    ,,,,,,,,,,,,

VT a cada agressão e mostrassem ao público, pelos telões, quem foi o vilão daquele lance? E se quem faz uso de violência fosse multado, após prova por vídeo em metade do salário mensal? Se queremos um país sem assaltos, pancadas, tiros, roubos, assassinatos a sangue frio, teremos que banir a violência dos campos e das arquibancadas, mas primeiro, entre os atletas. Esportistas desqualificados andam semeando pancadarias em nome da vitória. Se os árbitros e a CBF não forem mais severos, milhões de jovens crescerão achando que a violência é o único caminho para se conseguir a vitória. Seu ídolo é bom de cotoveladas e ganha 300 mil por mês… Eu iria mais longe. Anularia qualquer gol feito por um jogador que durante a partida tivesse xingado a mãe do outro, ou recorrido a pancada maldosa. O VT seria examinado por um grupo e, feito o gol, rodariam no telão a sua vilania, desmerecendo sua jogada. Não se aplaude três minutos depois, alguém que quase quebrou os dentes do seu oponente. Iria contra eu direito humano? E ele? Não fez o mesmo? E ainda quer levar vantagem? Faz contra, mas ninguém pode fazer contra ele? Mas é claro que nada disso será levado a sério por aqueles que acham que o futebol masculino tem quer ser violento. Então que enterrem em campo, munidos de tacape! O esporte poderia ser duro sem ser violento. Como está, é pior do que o boxe. Neste caso são apenas dois com luvas e proteção. No caso do futebol são muitos sem luvas sem proteção. Do jeito que as coisas andam em breve os jogadores terão que usar acolchoado nas pernas, no estômago e no cotovelo. Já que vão bater e apostam que o árbitro, ou não verá ou deixará passar, é melhor que entrem em campo, cheios de luvas e proteções como acontece no Futebol Americano. Como tem sido jogado aqui no Brasil o esporte das multidões em muitos momentos é imoral e anti-ético. Não prima pela verdade nem pelo respeito. Poderia ser uma escola de lealdade. Não tem sido!
Pe. Zezinho scj 

BATER NOS CATÓLICOS

No ultimo dia 19 de julho, o jornal “Folha de São Paulo” mostrava três fotos de Madona, vestida de macacão de couro a, mais uma vez, ridicularizar os católicos. Quem ainda a vê garante que ela não agride outros cultos. As fotos mostram um motel com uma cruz na parede, e ela pisa na cruz como quem a usa como escada e senta-se acima dela. Já vimos o quadro. Anos atrás um pastor da Igreja Universal chutou uma imagem de Maria. Foi crime hediondo. Teve que sair do Brasil. Sua igreja veio à cúria católica pedir desculpas. Várias vezes fiéis de outras igrejas, convictos demais, quebraram nossos símbolos que não adoramos, esquecidos que eles mesmos os usam sem adorar: muitas dessas igrejas hoje têm cruzes, pombas …………

que se movem simbolizando no Espirito Santo, outras têm foto ampliada do fundador à entrada de seus templos e não poucas recorrem ao óleo, toalhinhas, procissões, fogueira e cruz. Não obstante ainda nos confrontam. Um deles, que num ultimo evento calculou em 5 milhões os fiéis que lá acorreram, deu a entender que metade de São Paulo estava lá. A Folha calculou o número em cerca de 300 mil. O mesmo pregador prognosticou que em 2020 o Brasil será a maior nação evangélica do mundo. Leia-se: os católicos diminuirão. Vencerão a novas igrejas. Então, tá! Se ele estiver certo nas suas previsões e se os números não forem superdimensionados para efeito de marketing da fé, metade dos católicos terá trocado de templo, de altar e de púlpito e nós teremos inexoravelmente perdido espaço. Enquanto isso, eles também perderão templos, um levará os fiéis do outro e o mundo assistirá ao triste espetáculo de crentes em Jesus a repetir o que houve nos séculos III, IV, V e seguintes séculos da era cristã, com montanistas, arianos, donatistas, nestorianos, apolinaristas, maniqueus, e iconoclastas a brigar e discutir nas ruas e praças, nos templos e nos palácios quem estava mais certo a respeito de Jesus. Não é história agradável de ser ler nem de um lado nem de outro. Os livros que nos chegaram dessas contendas não primam pela gentileza ou pelo diálogo e pelo respeito. Há ódio neles. De uns vinte anos a esta parte assistimos entrevistados, comediantes, artistas, escritores e cantores que professam aberto ateísmo, ou igrejas em aberta oposição aos católicos discutirem sobre posturas morais e éticas, enquanto nos ofendem. Se apenas discordássemos, estaríamos todos corretos. Mas descambou para a mentira e o achincalhe! Temo pelos próximos vinte anos!
Pe. Zezinho scj