Discordâncias

Acontece não poucas vezes na nossa vida que nos indispomos contra quem ousou discordar de nós e corrigir-nos. A admiração de ontem passa a ser a mágoa de agora. Quem ele acha que é para me corrigir a mim ou ao nosso grupo?… Conseguimos ser amigos de quem concorda conosco e nos elogia, mas temos enorme dificuldade de considerar amigo aquele que ousou dizer que nosso método de trabalho, nosso modo de falar, nossas idéias não correspondem ao que a Igreja pensa sobre aquele assunto. Seria a coisa mais simples do mundo dizermos: – “Então ele não pensa como eu penso! É meu irmão e tem todo esse direito porque estudou mais sobre o tema”. Mas muitas vezes, como gostaríamos que todo mundo nos aplaudisse e concordasse conosco, nos armamos contra essa pessoa que ousou dizer  …………

o que pensava, enquanto nós não ousamos dizer a ela que o que pensamos. Então agimos emburrados, não falamos, não ouvimos. E, quando a pessoa passa por nós nem a cumprimentamos. Passei meses atrás cerca de uma hora perto de um pregador. Tentei conversar com ele três vezes e ele não respondeu. Seu mutismo era para me agredir. Soube, depois, que ele se magoou quando me ouviu num programa de rádio dizer que deveríamos exigir provas do pregador que afirma que Deus lhe disse alguma coisa naquela noite… Ele fazia isso. Achava-me inimigo dos revelados. Não sou. Apenas quero provas. Jesus mandou questionar . ( Mt 24, 24-26) Se somos incapazes de conviver, de sermos gentis, com alguém que discordou de nós, então alguma coisa estranha está acontecendo em nossa vida. Um ser humano maduro não perde o humor nem a classe com alguém ousou pensar diferente ou disse o que pensava. Talvez não tenhamos sido educados para o diálogo ou talvez nos tenhamos em tanta conta que fica proibido a qualquer pessoa discordar da nossa maneira de pensar ou de evangelizar. Isso tudo pode e deve mudar um dia, mas para que aconteça terá que começar conosco. Aceitemos aprender enquanto ensinamos. Continuemos irmãos de quem discorda de nós. Paulo e Pedro conseguiram…

Pe. Zezinho scj 

PEDIR EM NOME DE MARIA

Uma coisa é dizer que tudo nos vem por Maria e outra coisa dizer que muitas graças no vêm através da prece de Maria. Se eu oro por você ao Pai em nome de Jesus, ou a Jesus diretamente e você me diz que recebeu a graça, não estou errado ao dizer que, por minha intercessão junto a Jesus, você recebeu aquela graça. Senão, que sentido teria os pais orarem pelos filhos ou os padres e pastores orarem por seus fiéis? Não é intercessão? Se nós intercedemos o tempo todo uns pelos outros, porque negar que Maria faça o mesmo a quem pede sua ajuda? Seria a prece dela menor do que a dos padres e pastores? Eu já fui de falar primeiro com Maria e só depois com seu filho. Agora, faço …….

o que sinto vontade de fazer. Muitas vezes falo direto com Jesus. Outras, com a mãe dele. Quando falo com Maria, peço a ela que fale comigo a Jesus e interceda comigo e por mim. Se ela falar direto ao Pai, vai usar o nome do Filho dela, como eu faço quando falo com o Pai. Mas sei que a oração de Maria é incomparavelmente mais pura do que a minha. É claro que quero a ajuda dela. Se aceito a ajuda dos padres e reverendos que dizem orar por mim, porque não aceitaria a de Maria que creio estar salva e viva na outra dimensão do existir, dimensão que chamamos de céu? Não acho que Maria se magoe, por falarmos ao seu Filho sem recorrer a ela. É tudo que ela quer! Que alemos com seu Filho! Quando nossa Igreja diz que Maria é “medianeira de graças” ( o Catecismo não tem a palavra “todas”) nossa Igreja não está dizendo que Deus Pai que age através de Jesus só atenderá nossas preces, se elas também passarem por Maria. Isso a Igreja nunca disse! O que a Igreja diz é que, se quisermos pedir, qualquer graça, qualquer que seja o pedido, podemos pedir por Maria, porque ela pedirá conosco e levará tudo a Jesus. Não há graça que Maria não peça conosco! A Igreja sugere, inclusive, que os católicos usem o santo nome de Maria nas suas orações, mas sem esquecer que o nome que salva é o de Jesus. Não usamos os nomes de amigos e de outras pessoas quando pedimos algum favor de alguém que as conhece? Se soubermos usar o nome certo do jeito certo, porque não? Desde que saibamos que o poder e foi dado a Jesus e ele o delega a quem ele quiser (Mt 13,11), não erraremos. Jesus deu poder aos apóstolos, desde que se reunissem no seu nome ou que usassem seu nome. ( Mt 18,20, Jo 14,13) Na Bíblia há centenas de passagens em que se usa o nome de profetas e servos de Deus durante as orações (1 Re 13,6 ). Reis pediam aos profetas que orassem por eles. Nós cristãos usamos o nome de Jesus porque não há nenhum nome maior do que este para nós. ( Fl 2,9 ) Mas não está proibido usar nomes menores. O de Maria é menor que o de Jesus, mas é bem maior do que o nosso. Estava certa aquela senhora que orava: -“ Pai, falo com o senhor em nome de Jesus” -“ Jesus, falo com o senhor em nome de Maria”
-“ Maria, falo com senhora pedindo que me ajude a falar com Jesus, porque de falar com ele a senhora entende mais do que eu “ Estava orando a Maria do jeito certo ! MARIA: MEDIANEIRA JUNTO A JESUS Posso falar diretamente com Jesus sem procurar nenhum mediador. Mas posso pedir ao padre Pedro que ore comigo e por mim. E posso pedir ao pastor Jaime que faça o mesmo. Posso usar de sua intercessão enquanto eu mesmo falo com Jesus. Melhor para mim que tenho mais duas pessoas orando por mim e comigo! Se não desprezo a intercessão dos homens piedosos deste mundo porque faria pouco caso da intercessão da Mãe do Cristo que está no céu com seu Filho? O pregador evangélico que dizia que não precisava de nenhuma outra intercessora junto a Deus, porque já tinha Jesus, o santo, estava querendo marcar um ponto contra os católicos, mas marcou contra si mesmo. No mesmo programa de rádio. minutos depois ofereceu-se para orar pelos seus fiéis. Se ele podia ser intercessor junto a Deus em nome de Jesus, porque a mãe de Jesus não pode? Ou será que ele é dos que pregam que Maria está morta e ainda não foi para o céu? Neste caso, onde ele espera ir quando morrer? Se a mãe de Jesus ainda está esperando e, por isso, não pode orar, onde estão todos os fiéis da sua Igreja? Os vivos têm mais poder do que os que morreram em Jesus? Os fiéis da Terra têm mais poder do que os fiéis do céu? Não há ninguém no céu? E onde estão todos os piedosos cristãos que morreram nestes 20 séculos? Onde está o ladrão a quem Jesus disse que naquele mesmo dia estaria no paraíso? Céu é uma coisa e paraíso é outra?
Uma questão suscita outra quando afirmamos que só nós podemos orar pelos outros e que os que morreram em Jesus não podem. Ficamos com um trecho da Bíblia que dá a entender que os mortos não podem fazer nada pelos vivos e ignoramos os outros que dizem que é bom orar e fazer oferendas em favor dos mortos? Ignoramos passagens que mostram que Moisés e Elias estavam vivos em Deus e oravam com Jesus? Então, se a Bíblia merece crédito no que afirma, e eles apostam nisso, existe gente viva e orando no céu. É lá que Maria está. Se Moisés e Elias estão no céu e oram, então Maria a mãe do Cristo também está e ora. Não parece natural e lógico que Jesus tenha levado sua mãe para o céu?
A catequese sobre Maria é bem clara na Igreja. O único mediador junto ao Pai é Jesus. Mas Maria também intercede, só que age como alguém que depende. Ela faz o que qualquer cristão pode fazer, só que faz melhor: intercede por nós a Jesus, ou ao Pai em nome de Jesus. Foi o que Jesus mandou seus discípulos fazerem no Pai Nosso (Mt 6,9 ) e em (Jo 14, 13-15 ) Mas deixou claro que quem usasse seu nome de maneira errada teria que responder pelo desrespeito ( Mt 7,22)
A fé em Jesus, se for pura e sincera, purifica o nosso trato com Maria. A fé em Maria, se for pura, acaba levando a Jesus, de tal maneira que nosso viver passa a ser Ele. ( Gl 2,20 ) Se no céu se batesse palmas é isso o que ela faria ao cristão que a saúda respeitosamente, mas vai falar horas e horas com seu filho. Que mãe não gostaria disso?
Quando alguém diz que Jesus é o único mediador junto ao Pai está dizendo que ele é a única autoridade para isso. Mas não está negando aos seus discípulos o direito de serem mediadores com Jesus. Senão, por que é que ele iria ensinar, no Pai Nosso, que devemos nos dirigir diretamente ao Pai e que deveríamos usar seu nome e orar uns pelos outros?
Se Jesus manda interceder é porque podemos também nós ser intercessores. Então, também somos mediadores com ele. É claro que não tão plenos como Ele, mas sempre depois dele e por causa dele, da mesma forma que somos filhos por causa dele. Se podemos nos proclamar filhos de Deus por causa de Jesus, o Filho, podemos ser intercessores uns pelos outros por causa de Jesus o intercessor. Não é isso que fazem as igrejas cristãs quando incentivam que oremos e intercedamos uns pelos outros em nome do intercessor maior que é Jesus?
Quando os católicos chamam Maria de intercessora estão seguindo a mesma lógica . Continuo perguntando… Se padre e pastor podem, porque Maria não poderia interceder? Se nas missas e cultos intercedemos a Jesus pelos nossos doentes e pedimos a ele que nos conceda o que pedimos, por que não pedir a outros discípulos já no céu, que orem junto? E por que excluir Maria? Perguntas de um coração católico!
Pe. Zezinho scj 

Goiânia recebeu Médico Psiquiatra Augusto Cury

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia agendou para o dia 21 de junho de 2012, no Teatro Rio Vermelho, desde 2008,  às 19 horas uma conferência inédita ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Augusto Cury sobre: “Saúde Emocional: um caminho para a educação da paz”, com eixo temático na Promoção da saúde e qualidade de vida: numa perspectiva da paz. “A palestra visava agir diretamente sobre o gerenciamento do estresse nos professores durante o horário de trabalho”. Assista agora as duas palestras pelo Facebook clicando nos links abaixo.

São Domingos e o milagre do Terço

D. Pero, primo de São Domingos, levava uma vida muito devassa. Sabendo que muitos ouviam os sermões de seu santo primo, resolveu ouvi-lo também. Ao vê-lo, durante o sermão, S. Domingos empenhou-se para fazer ver ao primo o estado lamentável em que este se encontrava. Empedernido no pecado, não se converteu. São Domingos de Gusmão vendo-o entrar novamente, para tocar seu coração endurecido resolveu fazer algo de extraordinário. E gritou em alta voz: “Senhor Jesus, fazei ver a todos desta igreja o estado em que se encontra este homem que acaba de entrar”. Os fiéis, voltando-se para D. Pero, viram-no rodeado de uma multidão de demônios em formas de animais horríveis, que o prendiam a correntes de ferro. Horrorizados, tentaram fugir, mas, impedidos por S. Domingos, permaneceram na igreja. Ele então prosseguiu: “Conhece, desgraçado, o deplorável estado em que te encontras. Ajoelha-te aos pés da Ssma. Virgem, toma este Rosário e reza-o com arrependimento e devoção, e muda a tua vida”. Ele se pôs de joelhos, rezou o Rosário e sentiu o desejo de confessar-se. O Santo o atendeu em confissão e instou-o a rezar o Rosário todos os dias. Na saída, da cara assustadora com que antes entrara, nem resquícios havia. Pelo contrário, brilhava como a de um anjo. E assim morreu.

The Sacred Heart and St. Dominic

“O Jesus, meek and humble of heart, make my heart like unto thine.” Today, on the Solemnity of the Sacred Heart of Jesus, Catholics throughout the world are making this petition. Our Lord Jesus was, of course, preeminently meek and humble, but, we may wonder, what other virtues are we asking for in this short prayer? In what other ways do we desire our hearts to be “like unto his”? I would suggest that the life of our Holy Father Saint Dominic can help us find an answer to this question.

In the biblical sense, the “heart” refers to the very depths of one’s being, where one decides for or against God (CCC 368). A heart that is purified is one that is given over to God alone, and to those who have such hearts eternal life is promised:
Who shall climb the mountain of the Lord?
Who shall stand in his holy place?
The man with clean hands and pure heart,
Who desires not worthless things” (Psalm 24:3-4).
In the Gospel, we hear this promise again from the lips of Christ himself: “Blessed are the pure in heart for they shall see God” (Matthew 5:8).
To some, this might seem to suggest that one should keep the concerns of sinners far away from one’s own heart. Under this interpretation, the less one thinks about sins and sinners, the more pure one’s heart is. In the life of Saint Dominic, however, we see purity of heart manifested in a very different way. Blessed Jordan of Saxony, Dominic’s immediate successor as Master of the Order, wrote of him, “God gave him the singular gift of weeping for sinners, the wretched, and the afflicted, whose sufferings he felt within his compassionate heart, which poured out its hidden feelings in a shower of tears.”
Dominic, far from keeping sinners at bay, welcomed them into his heart and made of them an integral part of his prayer and contemplation. In his nightly vigils, he could often be overheard asking the Lord, “What will become of sinners?” Not only in his prayer, but also in his relationships with others, he was known for this solicitude: “All men were swept into the embrace of his charity, and, in loving all, he was beloved by all.”
Saint Dominic challenges our notion of what it means to have a pure heart, and it is a truly Christian challenge. His embrace of sinners is the manifestation of an authentic imitation of Christ. To be pure of heart is to have one’s heart so closely conformed to the Sacred Heart, that his concerns become ours. We do not need to search the Gospels for long to discover that Our Lord carried the concerns of sinners and the afflicted in his Sacred Heart: “At the sight of the crowds, his heart was moved with pity for them because they were troubled and abandoned, like sheep without a shepherd” (Matthew 9:36). Here, in the Gospel and in the life of Saint Dominic, we find one more gift we might obtain by asking our Lord, “Make my heart like unto thine.”

HIPOCRISIA

 
I. A Palavra e Suas Definições


Essa palavra vem do verbo grego que significa «replicar». O substantivo era usado para indicar «aquele que replica» e no uso e desenvolvimento desse vocábulo, veio a assumir o significado de ator, partindo da ideia de que os atores replicam uns aos outros. Finalmente, o termo passou a significar «ator» quanto a coisas sérias, até adquirir o sentido moderno de «hipócrita». Essa palavra é usada por vinte vezes no Novo Testamento (sempre nos evangelhos sinópticos), sempre em mau sentido. Lucas usou a forma verbal por uma vez (Lc 20:20), com o sentido de «fingir». As autoridades religiosas   ………..

profanavam a prática religiosa, transmutando-a em uma peça de teatro, chegando ao cúmulo de atrair as multidões, que aplaudiam o espetáculo que davam. E a recompensa delas era o aplauso que recebiam. No Antigo Testamento encontramos o termo hebraico hanep, que significa «poluído», «ímpio». A raiz dessa palavra, hnp, indica aquilo que é antagônico ao que é sagrado. Em algumas ocorrências dessa palavra, a Septuaginta traduz por hipócrita (como em Jó 34:20; 36:13), mas essa é apenas uma das traduções possíveis, não sendo o seu uso básico. Em Isaías 32:6, segundo a nossa versão portuguesa, o vocábulo hebraico khoneph é traduzido por «usar de impiedade». A raiz hebraica, acima mencionada, aparece em trechos como Jó 13:16; 15:34; 17:8; 20:5; 27:8; 34:30; 36:13; Pv 11:9 e Is 9:17. A ideia básica é a de alguém que usa de duplicidade, mostrando-se assim ímpio e insincero, culpado de levar uma vida fingida, hipócrita.

A hipocrisia consiste em fingir alguém ser aquilo que ele não é, como se estivesse representando ser melhor do que, na realidade, é. Essa é a base do falso orgulho. Alguém gostaria de ser algo significativo. Não sendo isso, o indivíduo apresenta ao público uma fachada de bondade que é falsa ou exagerada. Os sinônimos são a dissimulação, o farisaísmo, o fingimento e a falsa pretensão. O ludibrio sempre faz parte da vida ou dos atos hipócritas.


«A hipocrisia é o ato de simular qualidades de personalidade, de caráter moral e de convicções religiosas ou outras crenças que, na verdade, não estão presentes no indivíduo, o qual assume uma aparência falsa. Se o termo hipocrisia é aplicado, no uso comum, à dissimulação deliberada ou à insinceridade intencional, não deveria ser limitada somente à ideia de um ludibrio consciente. Pois esse termo pode também aludir de modo coerente, embora nem sempre bem aceito, às distorções inconscientes de algum ideal professado, às discrepâncias ou incoerências não reconhecidas que prevalecem entre aquilo que os homens dizem defender, na teoria, e a qualidade de personalidade que eles demonstram na prática diária». (E)

II. Referências e Ideias Bíblicas


Oferecemos  uma completa  revisão  sobre as referências veterotestamentárias e seu uso, na seção I. No Novo Testamento, o termo grego upókrisis, «hipocrisia», aparece somente por sete vezes: Mt 23:28; Mc 12:15; Lc 12:1; Gl 2:13; I Tm 4:2; Tg 5:12; I Pe 2:1. O adjetivo upokritês, «hipócrita», figura por vinte vezes: Mt 6:2,5,16; 7:5; 15:7; 16:3; 22:18; 23:13-15,23,25,27,29; 24:51; Mc 7:6; Lc 6:42; 11:44; 12:56; e 13:15. Todos esses usos ocorrem nos evangelhos sinópticos, envolvendo, essencialmente, a denúncia de Jesus contra os líderes religiosos cuja espiritualidade não correspondia à ostentação deles em público.


Ideias Bíblicas:


Deus reconhece e detecta os hipócritas (Is 29:15,16); Cristo reconhecia-os e detectava-os (Mt 22:18); Deus não encontra prazer algum na hipocrisia (Is 9:17); um hipócrita não pode apresentar-se diante de Deus, esperando o seu favor (Jó 13:16); os hipócritas são cegos por sua própria vontade (Mt 23:17,19); os hipócritas são justos aos seus próprios olhos (Lc 18:11); e também apreciam a ostentação (Mt 6:2,5); e, além disso, são censuradores, condenando ao próximo (Mt 7:3-5; Lc 13:14,15); promovendo as tradições humanas, em vez da verdade divina (Mt 15:1-3); e requerem muitas práticas religiosas triviais, às quais emprestam um exagerado valor (Mt 23:23,24). Além disso, se exibem uma forma externa de piedade, não possuem a verdadeira espiritualidade (II Tm 3:5); professam a fé religiosa, mas não a praticam (Ez 33:31,32: Mt 23:3; Rm 2:17-23); falam sobre coisas grandiosas, mas seus atos não correspondem àquilo que dizem (Is 29:13; Mt 15:8). “Gloriam-se nas meras aparências (II Co 5:12); insistem em ter privilégios especiais (Jr 7:4; Mt 3:9). Outrossim, oprimem aos incapazes (Mt 23:14); apreciam ocupar lugares proeminentes (Mt 23:6,7); a adoração deles não é aceita por Deus (Is 1:11-15); procuram destruir outras pessoas com as suas calúnias (Pv 11:9). A hipocrisia está ligada à apostasia (I Tm 4:2); impede o crescimento na graça divina (I Pe 2:1). Há um «ai» pronunciado contra os líderes religiosos hipócritas (Mt 23:12); o castigo divino aguarda por esses (Js 25:34; Is 10:6; Mt 24:51).

III. Exemplos Bíblicos de Hipocrisia

Caim (Gn 4:3); Absalão (II Sm 15:7,8): os judeus, em tempos de desvio e apostasia (Jr 3:10); os fariseus (Mt 16:3); Judas Iscariotes (Mt 26:49); os herodianos (Mc 12:13,15); Ananias (At 5:1-8); Simão (At 8:13-23); até mesmo Pedro e Barnabé caíram em pecado de hipocrisia, no tocante ao tratamento que deveria ser dado aos crentes gentílicos, no começo da dispensação do evangelho, conforme nos informa Paulo, em Gl 2:13.

IV. Um Emprego Filosófico Útil


Os filósofos existenciais fornecem-nos um certo discernimento sobre a questão da hipocrisia. Eles se referem à hipocrisia com o nome de existência não autêntica. Quando alguém se amolda à opinião e às expectações públicas, em vez de seguir os ditames de sua própria consciência, então está levando uma existência não autêntica. A busca pela autenticidade é uma das principais preocupações do homem verdadeiramente justo. A Bíblia insiste em que devemos ser autênticos em nossas palavras e em nossas ações.

V. Todos os Religiosos são Hipócritas

É fácil chamarmos outras pessoas de hipócritas; e é ainda mais fácil sermos tão arrogantes que nos consideramos autênticos, enquanto todas as outras pessoas seriam destituídas de autenticidade. A verdade é que todas as pessoas religiosas, incluindo até mesmo as sinceras, e até mesmo aqueles que buscam diligentemente pela autenticidade, em certo grau, são hipócritas. Isso é verdade porque o ideal está sempre acima de nossa capacidade de realização. Além disso, a nossa tendência é tentar apresentar diante dos outros a ideia de que temos atingido melhor os ideais de sinceridade e autenticidade do que na realidade o fizemos. E não somente isso, mas também conseguimos enganar a nós mesmos, pensando que somos melhores do que, na realidade, o somos. Portanto, não somente somos hipócritas diante de nossos semelhantes, mas até mesmo diante de nós. Todavia, isso não anula qualquer genuína espiritualidade. Devemos continuar subindo na direção do ideal. A hipocrisia tem muitos níveis. Parte da inquirição espiritual consiste em ir eliminando a hipocrisia, juntamente com muitos outros defeitos de caráter, debilidades e vícios. A humildade é uma virtude, e nos ajuda a anular a hipocrisia.


I.           A Palavra e Suas Definições
II.          Referências e Ideias Bíblicas
III.         Exemplos Bíblicos de Hipocrisia
IV.        Um Emprego Filosófico Útil
V.         Todos os Religiosos são Hipócritas





Bibliografia J. M. Bentes

Deus ama o homem e permanece com ele

A Teologia como reflexão e experiência vital de Deus, ilumina e redireciona a vida do homem e da sociedade para o conhecimento da Verdade, que é Cristo, e para a vivência dos Valores Absolutos. O ponto de partida é o acontecimento da Revelação (a vida de Cristo que assume a natureza humana e toma para si o abismo da miséria do homem, o seu pecado) e a sua centralidade é o Mistério Pascal. Cristo veio libertar e salvar o homem do pecado que o escraviza e compromete a felicidade, as relações, a salvação, a vida eterna. Cristo veio “tornar o homem uma nova criatura” (2 Cor 5,17). O Deus de Jesus Cristo é um Deus próximo, trinitário e encarnado, que morreu de fato, mas ressuscitou e venceu a morte. Portanto, tudo o que diz respeito ao homem diz respeito a Cristo que veio fazer unicamente a vontade do Pai. Não é possível admitir  …..

formas e ideologias de morte em que atenta contra a vida humana sem que comprometa todo o projeto de felicidade que pensou Deus para cada homem. Projeto esse que já traz sua gênese na Lei Natural, inscrita no coração do homem. Frente aos desafios contemporâneos, principalmente ao que diz respeito às Ciências da Vida (Genética), apoiada pela “Biotecnologia”, com suas gamas de questões éticas e morais, vemos o caráter profético da Teologia – como “Fé da Igreja” – agir e entrar na defesa da “inviolabilidade da Vida” (”sacralidade” da vida humana desde a sua concepção até o seu definhar natural). Isso deve ser para cada um de nós batizado, motivo de reflexão, compreensão vivencial e comunicação da fé, ou seja, anúncio da Verdade Absoluta que é Cristo. Muito mais deve ser uma reflexão para todos os que estudam a fé e são inseridos nos mistérios (mistagogia) de Cristo, quer seja apreendendo o seu significado teórico, quer seja o inevitável viver desses mistérios. Temos que ser testemunhas do Ressuscitado que passou pela cruz!
Certamente era assim que acontecia na Igreja nascente, daí o testemunho que presta as “Atas dos Mártires” e o testemunho dos “Padres da Igreja” com o caráter “apologético da Fé” (Defesa da Fé). Como ensina o concílio Vaticano II: “A Igreja é perita em humanidade” (cf. Paulo VI, discurso na ONU – 1965), portanto, ela pode – através da sua Comunhão com Deus, manifestada por meio das Sagradas Escrituras, da vida Sacramental e da Tradição – oferecer ao homem de hoje e aos de sempre, respostas às suas dramáticas questões éticas e morais, sobretudo, conduzir o homem a descobrir as suas respostas fundamentais e fazer a experiência de que sua vida transcende o transitório. Inconfundivelmente a vida de quem crer e de quem aproxima sua vida cada dia para um conformar-se com a de Cristo, não pode acreditar que sua vida terminará numa fria sepultura. “Caminhamos entre as coisas que passam e abraçamos as que não passam”, reza a liturgia do Advento. Somos cidadãos do céu, mas hoje temos uma missão aqui!
A Teologia precisa estar a serviço da vida e ser um auxílio indispensável ao Povo de Deus que precisa cada dia mais de orientações de como pensar e dar resposta aos dramas do cotidiano, à luz de uma reta consciência e de valores que sublimem as ações e as decisões pessoais e coletivas. Acima de tudo, o povo tem necessidade da coerência de vida dos que se dizem conhecedores da riqueza da doutrina teológica. Pede-se cada vez mais a manifestação de todos os acadêmicos, de forma especial, do corpo docente dos teólogos, principalmente no Brasil, para que se disponibilizem para o serviço da fé e da formação das consciências, por sua vez, desvirtuadas em conseqüência de tantas sombras de doutrinas e ideologias. A Igreja sabe conduzir o homem até Cristo, que enche de sentido este homem e o faz descobrir a sua originária vocação que é amar, deixar-se conduzir pelo amor de Deus e acolher livremente a salvação.
Já dizia o grande filósofo e teólogo da antiguidade, Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração não é feliz enquanto não repousa em Ti” (Confissões I, 1,1). Esteja a Teologia a serviço da vida, em todas as circunstâncias. Esteja a teologia consciente de outra vez dizer ao homem de hoje que ele foi criado para Deus, que somente o Seu amor traz a verdadeira Segurança e Paz. Não tenhamos medo! Muitos parecem temer falar, escrever, refletir, formar consciências, esclarecer, colaborar em sanar tantas confusões na cabeça das pessoas. Pede-se uma reação sadia e profética da Teologia Católica. Precisamos da coragem para dialogar com o mundo, a sociedade, as ideologias, o mercado, a ciência, as culturas, as religiões e as formas mais diversas de se pensar e julgar os valores do homem hodierno.
A vida do homem é um bem em si mesmo porque pertence ao ato criador de Deus. Valem todos os esforços para que a vida do homem não continue a ser destruída, banalizada e descartada, inclusive quando ainda esta vida se encontrar nos primeiros movimentos vitais, longe do nosso olhar científico e tantas vezes irracional. Que cada vida humana seja valorizada do início até o pleno uso da sua consciência e o definhar natural do seu viver. Que a reflexão sobre Deus nunca perca de vista a verdade de que Ele entrou na história da humanidade, veio viver como homem e assumiu – mesmo sendo sem pecado – as nossas mazelas e enfermidades, morreu e ressuscitou. Deus ama o homem e permanece com ele sempre, não obstante suas revoltas, sua indiferença e rejeição ao Seu amor. A vida do homem são as pupilas de Deus. “A glória de Deus é que o homem viva” (Santo Irineu de Lyon).Diante do mistério da vida não podemos deixar de nos maravilhar e, consequentemente, não podemos nos omitir quando esta vida for ameaçada.  
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Por: Antonio Marcos, Leigo, formado no Curso Superior de Filosofia (ITEP) e Bacharelando em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza (FCF)
Fonte:http://www.comshalom.org