Tomás responde: todos os pecados são iguais?

Parece que todos os pecados são iguais:
1. Com efeito, pecar é fazer o que não é permitido. Ora, isso é algo que é sempre repreensível de modo igual e uniforme. Logo, nenhum pecado é mais grave do que o outro. 2. Além disso, todo pecado consiste em transgredir a regra da razão, a qual está para os atos humanos, como nas coisas materiais está a régua linear. Portanto, pecar é de certo modo não mais se as linhas. Ora, não seguir as linhas acontece igualmente e do mesmo modo, se se afasta mais longe ou se fica mais perto, porque nas privações não há mais e menos. Logo, todos os pecados são iguais. 3. Ademais,

os pecados opõem-se às virtudes. Ora, todas as virtudes são iguais, diz-nos Cícero. Logo, todos os pecados são iguais. EM SENTIDO CONTRÁRIO, o Senhor disse a Pilatos, no Evangelho de João (19,11): “Aquele que me entregou a ti tem um pecado maior”. E é evidente que Pilatos teve algum pecado. Logo, um pecado é maior que o outro. Os estóicos, e Cícero depois, pensaram que todos os pecados são iguais. Daí derivam também o erro de certos hereges que, admitindo a igualdade de todos os pecados, admitem igualmente a igualdade de todas as penas do inferno. E quanto se pode ver pelas palavras de Cícero, os estóicos eram movidos pelo fato de considerarem no pecado somente a privação, isto é, enquanto afastamento da razão. Por isso, julgando de modo absoluto que nenhuma privação poderia comportar mais ou menos, afirmaram que todos os pecados são iguais.

Mas, se se considera com cuidado, percebem-se dois gêneros de privação. Há uma privação pura e simples, que consiste num estado completo de corrupção. É assim que a morte é a privação da vida, e as trevas da luz. Tais privações não têm mais nem menos, pois nada resta do que havia. Não se está menos morto no primeiro dia, no terceiro ou no quarto, do que no final de um ano quando o cadáver está decomposto. Igualmente, uma casa não é mais escura quando se cobre a lâmpada com vários véus, ou com um único que veda totalmente a luz.
Há uma outra privação, não simples. Ela retém alguma coisa daquilo que ela exclui. Ela é, antes, um caminho para a corrupção do que um estado de corrupção completa. Tal é o caso da doença que faz perder o bom equilíbrio dos humores, de tal modo que ainda fica alguma coisa, sem a qual o animal não estaria mais com vida. Tal é igualmente o caso da feiura e de outras coisas do gênero. Ora, tais privações pelo que fica do hábito contrário, são susceptíveis de mais e de menos. De fato, muito interessa à doença e à feiura o afastar-se mais e menos do bom equilíbrio dos humores ou dos membros. Deve-se, portanto, dizer a mesma coisa dos vícios e dos pecados. Pois, neles se dá a privação da devida medida da razão de modo que não se suprime inteiramente a ordem da razão. Se o mal fosse integral, destruir-se-ia a si mesmo, como se diz no livro IV da Ética. Não poderia subsistir a substância de um ato, nem as afeições daquele que age, se não subsistisse algo da ordem da razão. E assim, muito interessa à gravidade do pecado o afastar-se mais ou menos da retidão da razão. E segundo isso deve-se dizer que nem todos pecados são iguais.
Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Não é permitido cometer pecados por causa da desordem que contém. Portanto, aqueles que contêm uma desordem maior são mais ilícitos, e, por conseguinte, mais graves.
2. Este argumento procede do pecado como se fosse uma privação pura.
3. As virtudes são proporcionalmente iguais em um e mesmo indivíduo. No entanto, por sua espécie uma virtude precede outra em dignidade mesma espécie de virtude, um homem é mais virtuoso do que outro como acime se estabeleceu (q.66, a. 1, 2). Mesmo se as virtudes fossem iguais, não se seguiria que os vícios são iguais, porque há conexão entre as virtudes, e não entre os vícios ou pecados.
Suma Teológica I-II, q. 73, a. 2

Tomás responde: Todo prazer é mau?

 Parece que todo o prazer é mau:

1. Com efeito, o que destrói a prudência e impede o uso da razão parece ser mal em si, porque o bem do homem consiste “em ser segundo a razão”, como diz Dionísio. Ora, o prazer corrompe a prudência, impede o uso da razão; e tanto mais quanto maiores são os prazeres. Assim que “no prazer sexual”, que é o maior de todos, “é impossível conhecer algo”, diz o livro VII da Ética. E Jerônimo escreve também que “no momento do ato conjugal não se dá a presença do Espírito Santo, mesmo que se trate de um profeta que cumpre seu dever de procriar”. Portanto, o prazer é mau em si; logo todo prazer é mau.

2. Além disso, ……
o que o homem virtuoso evita, e o homem sem virtude procura, parece ser mau em si e que deve ser evitado, pois segundo o livro X da Ética, “o homem virtuoso é como a medida e a regra dos atos humanos” e o Apóstolo diz na primeira Carta aos Coríntios: “O homem espiritual julga tudo”. Ora, as crianças e os animais irracionais, nos quais não há virtude, buscam os prazeres, enquanto o moderado os rejeita. Logo, os prazeres são maus em si e devem ser evitados.

3. Ademais, “A virtude e a arte se referem ao que é difícil e bom”, diz-se no livro II da Ética. Ora, arte alguma é ordenada ao prazer. Logo, o prazer não é algo bom.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, está dito no Salmo 37: “Deleita-te no Senhor”. Como a autoridade divina não induz a nenhum mal, parece que nem todo prazer é mau.

Como diz o livro X da Ética, alguns afirmaram que todos os prazeres eram maus. A razão disso parece ser que tinham em mente apenas os prazeres sensíveis e corporais que são mais manifestos; pois os antigos filósofos, nos demais inteligíveis sensíveis, não distinguiam o intelecto dos sentidos, como diz o livro da Alma. Ora, eles julgavam que todos os prazeres corporais deviam ser declarados maus, para que os homens, que são inclinados a prazeres imoderados, afastando-se dos prazeres, chegassem ao justo meio da virtude. Mas essa apreciação não era conveniente. Como ninguém pode viver sem algum prazer sensível e corporal, se aqueles que ensinavam que todos os prazeres são maus fossem flagrados desfrutando de algum prazer, os homens seriam levados mais ainda ao prazer pelo exemplo de seu comportamento, deixando de lado a doutrina de suas palavras. Com efeito, quando se trata de ações e paixões humanas, em que a experiência vale mais que tudo, os exemplos movem mais que as palavras.

Há que dizer que alguns prazeres são bons, e outros, maus. Pois o prazer é o repouso da potência apetitiva em um bem amado, e é consecutivo a uma ação. Podem-se dar duas razões para essa asserção:

1. Da parte do bem em que se repousa no prazer. Do ponto de vista moral, o bem e o mal se determinam conforme a concordância ou discordância com a razão, como acima se disse (q.18, a.5). Assim é no mundo da natureza, no qual uma coisa se chama natural por ser conforme à natureza, e não natural o que não é conforme com a natureza. Há, pois, nas coisas da natureza um repouso natural que convém à natureza, como quando um corpo pesado encontra seu repouso em baixo. E um repouso não natural, que repugna à natureza, como um corpo pesado repousando no alto. Do mesmo modo, nas coisas morais há um prazer que é bom, pelo fato de que o apetite superior ou inferior repousa no que convém à razão; e um prazer mau, pelo fato de repousar no que está em desacordo com a razão, e com a lei de Deus.

2. Da parte da ações; algumas delas são boas, outras são más. Ora os prazeres têm mais afinidades com as ações, que estão em conjunção com eles, do que com o desejo, que os precede no tempo. Por isso, já que os desejos das boas ações são bons, e os desejos das más ações são maus, com mais razão ainda os prazeres das boas ações são bons, e os das más ações, maus.

Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. Como acima foi dito (q.33, a.3), os prazeres que são do ato da razão, não impedem a razão, nem corrompem a prudência, como fazem os prazeres estranhos tais como os corporais. Esses, de fato, impedem o uso da razão, como acima foi dito, pela contrariedade do apetite que repousa no que repugna à razão, se tem o prazer que é moralmente mau. Ou por um empecilho da razão, por exemplo, o prazer do ato conjugal, embora se dê em algo que está conforme à razão, impede o exercício dela, por causa da mudança corporal que o acompanha. Mas, nem por isso segue-se uma malícia moral, como no sono, que impede o exercício da razão, e não é moralmente mau, se for tomado de acordo com a razão: pois a própria razão tem como próprio que o seu uso seja interrompido de vez em quando. Dizemos, porém, que esse empecilho da razão pelo prazer no ato conjugal, embora não possua malícia moral, pois nem é pecado mortal nem venial, provém, contudo, de certa malícia moral, a saber, do pecado do primeiro pai: pois isso não existia no estado de inocência, como está claro pelo que foi dito na I Parte.

2. O homem moderado não evita todos os prazeres, mas só os imoderados e que não convém à razão. O fato de que as crianças e os animais irracionais procuram os prazeres, não prova que sejam estes universalmente maus, porque há neles um apetite natural que vem de Deus e os dirige para o que lhes convém.

3. A arte não se refere a todos os bens, mas às obras exteriores, como adiante se dirá (q.57, a.3). Quanto às ações e paixões que estão em nós, têm mais a ver com a prudência e a virtude do que com a arte. Existe, porém, alguma arte que produz prazer, a saber, a do cozinheiro e a do perfumista, como diz o livro VII da Ética.

Suma Teológica I-II, q. 34, a.1
Fonte: http://sumateologica.wordpress.com/2011/09/27/tomas-responde-todo-prazer-e-mau/

O BONITO DE SER CATÓLICO

Há poucos dias alguém que me perguntava o que havia de bonito em ser católico. Comecei pelo “Senhor tem piedade” e terminei pelo “Cordeiro que tiras o pecado!” Acentuei a doutrina do perdão, dos bem aventurados e salvos, dos perdoados e perdoadores, a universalidade, a busca permanente da unidade, o desejo sincero de auto-superação, os sacramentos e a eucaristia. Listei pelo menos cinqüenta valores! Posso imaginar o bonito de ser judeu, islâmico, ortodoxo ou evangélico. Se acho bonito ser católico, porque não seria bonito para eles ser membros das religiões e igrejas nas quais se sentem mais próximos de Deus? Um ex crente afirmava, num artigo recente, que, ….

agora, sua vida era mais livre e mais bonita. O ateísmo o libertara! Como não estou na pele dele, não o julgo. Sei de crentes e ateus felizes e de crentes e ateus infelizes. Ele parecia estar feliz! Bom para ele e bom para mim, que também sou feliz! Mas não é tudo assim tão automático! Não é por comprar novos aros e novas lentes que enxergarei melhor. Não é por ir ao culto e sentir emoções que me torno automaticamente bom católico. Mas se as lentes me ajudarem a sair da minha miopia e, se a intervenção a laser me corrigir as distorções, certamente verei melhor e se tiver uma boa visão de mundo e de pessoa serei mais feliz. Isto de ser feliz tem muito a ver com as visões e abrangências do coração. A religião pode ajudar oferecendo serenidade, posto que os serenos costumam ser mais felizes. Minha igreja me oferece isto! Sinto pelos outros que não acham pedagogia e perdão no catolicismo. Eu acho!
Aqui entram as religiões e igrejas bonitas! Vão além da estética de seus cultos e da ousadia de suas promessas e milagres. Jesus caracteriza isso com os conceitos de mansidão, coragem, abertura de coração, defesa firme da vida em todos os seus estágios! Chega-se ao céu através do que se faz pela vida na Terra! Corre o risco de perder o céu quem brinca de ser dono da vida e da verdade!
Proclamo que é bonito ser católico não apenas por ver o que Deus fez e faz por meio dos seus santos, nem apenas pelos santos que ele fez e faz. Os santos são corolários. Essencial é a busca da justiça e da paz! Proclamo que é bonito ser católico não apenas pelas nossas doutrinas, que acho elevadas e exigentes e até difíceis de cumprir, mas pela compaixão e misericórdia implícitas nos cultos e nos sacramentos que celebramos. Proclamo, ainda, que é bonito ser católico quando olho para o Vaticano com suas enormes colunas em curva que parecem dois braços abertos e sem portões. Entra quem quer e sai quem quer para ouvir nossa mensagem proclamada nas quartas feiras, pelo Sumo Fazedor de Pontes, o Papa.
Em cima daquelas colunas há inúmeras imagens de santos de ontem a lembrar aos de baixo, candidatos de hoje à santidade de sempre, que sem abertura de coração e de mente não vai dar certo! Não, num mundo carente de diálogo e cada dia mais distante dele!
Mais: gosto da coragem dos papas e dos bispos que não têm medo de dizer o que deve ser dito e conseguem dizê-lo de um jeito diplomático e humano. Diria muito mais, mas foi um pouco do que eu disse!
Por: Pe. Zezinho scj

O milagre da mula

Por vezes encontramos figuras de santo Antônio com um cálice nas mãos e diante de si, uma mula de joelhos. Pois bem, vamos falar sobre este milagre: Santo Antônio pregava sobre o Santíssimo Sacramento em Toulouse, sul da França, ano 1227. No meio da pregação um senhor se levantou e o desafiou, contradizendo que a presença de Cristo na Hóstia Consagrada era uma mentira. Ele disse: – O Senhor pode discursar durante horas, mas a verdade é que os fatos reais estão contra seus argumentos. É impossível que Cristo esteja presente na Hóstia Consagrada. Santo Antônio lhe respondeu: – Que problema há, no corpo de Cristo estar velado pelas aparências do pão e do Vinho. Conforme suas Próprias palavras. E senhor incrédulo o desafia: – Não, não há problema. Contudo se Cristo está presente nesta Hóstia, sua presença deveria ser ……
sentida por todas as criaturas viventes. Então pegarei minha mula, e na próxima missa estaremos aqui diante da Hóstia e se a mula a respeitar, acreditarei no senhor e na sua fé. Santo Antônio, após ouvir uma inspiração divina, resolve concordar com o desafio. Passou-se três dias, e uma multidão se aglomerou na praça, muitos pela missa e outros tantos para conferir o resultado do desafio do homem infiel. Enquanto Santo Antônio caminhava com o Santíssimo Sacramento e todos os católicos se colocavam de joelhos rezando. O senhor infiel chega conduzindo sua mula, a qual maliciosamente foi privada de alimento durante os últimos dias. Faminto, o animal estava tão violento que nem o próprio dono obedecia. Contudo, ao se aproximar do Santíssimo, a mula se acalmou, e diante de todos ali presentes, milagrosamente a mula se ajoelhou perante a Hóstia Consagrada ostentada por Santo Antônio. O Milagre gerou gritos e admiração por todos, os católicos entoaram cânticos emocionados. Muitos hereges que ali estavam por curiosidade se converteram ao catolicismo, assim como o senhor dono da mula que reconheceu imediatamente a presença de Cristo, se ajoelhou também se convertendo ao catolicismo após ter pedido perdão por ter sido tão incrédulo.

Era um santo casal, daqueles de vida ilibada, dos quais para encontrar algum defeito você teria que pesquisar com microscópio. Amigos diziam que nunca haviam visto ninguém tão de Deus quanto este casal; quarenta anos de casados e nenhum filho; resolveram adotar. O menino veio bom mais foi se tornando problemático. Entre o menino de 6 anos, adotado do orfanato e o filho que se tornou, a diferença foi abissal. O rapaz casou-se, mas vivia de falcatrua em falcatrua, de cadeia em cadeia. Os dois filhos que tivera, praticamente não o conheceram, porque Tony, este o seu nome, passava mais tempo preso do que na rua. Pequenos furtos, pequenas transgressões, mas frequentes e constantes. O Frank, esse era o nome do pai, orava e fazia sacrifícios pela conversão do filho adotado. A mãe Mary, calma, serena, orava muito dizendo que um dia ele mudaria. A esposa do rapaz veio morar na casa dos sogros com as crianças porque ele não tinha como mantê-las. Cansada, depois de 12 anos, Lucy resolveu …….

divorciar-se de Tony. Não tinha como esperar. Frank e Mary lhe deram uma casa perto da deles para ficarem perto dos netos, até porque a tinham como filha. Ele continuou nas falcatruas: cheque sem fundo, roubo de carro, muambas, bebidas e drogas. Frank já com grave problema de lesão muscular e sofrendo de artrite e dores atrozes, cultivava morangos. Com o dinheiro ajudava as obras vocacionais de uma congregação que ordenou um sacerdote na Venezuela. Eu fui um dos beneficiados, porque parte dos meus estudos nos Estados Unidos foram do dinheiro dele. Passava o tempo na oficina fazendo pequenos brinquedos para as crianças pobres. Santo casal ferido na alma, um dia ele me perguntou se o filho não se converteria. Afinal, ele e a esposa faziam tanto sacrifício, praticavam tanta bondade e tinham aprendido na igreja que esmolas apagam uma multidão de pecados… Será que todo aquele sacrifício não ajudaria a pagar a multidão de pecados do filho Tony?

Como explicar o mistério do bem e do mal, quando o bem perdeu, perdeu e perdeu? Não é que ele estivesse desanimado: iria até o fim, mas queria saber como Deus aplicaria tudo aquilo em favor do Tony.

Expliquei o que sabia sobre o mistério do bem e do mal e como ensina a igreja Católica. Falei sobre o mistério da graça, da liberdade humana, dos condicionamentos humanos, da culpabilidade e das pessoas vitimas de impulsos descontrolados. Falei lhe dos mecanismos da vontade humana e do mistério que há nesse mecanismo, pois não se aplica a duas pessoas da mesma maneira. Lembrei, então, as pessoas que ele ajudou e todas as crianças beneficiadas pelo seu trabalho, além do bem que ele fizera à sua nora e suas netas.

O caso do Tony ele até que entendia, mas o rapaz não tinha forças para largar aquela vida. Mas ponderou:

– “Nada exijo. Nem cobro de Deus, que converta meu filho. Eu só peço que ele me ilumine para que eu saiba fazer o melhor. Não perco a esperança e não perco a misericórdia. Mas fracassei com ele. Adotei um menino na esperança de torná-lo mais pessoa e não consegui.

E eu lhe retruquei.

– “Ele é quem não conseguiu! Você jogou a corda, mas ele não a agarrou. A correnteza foi mais forte. Lembram-se da Buick que você disse que tinha? Era um lindo carro, dentro dos cinco que você já teve. Mas foi o que mais trabalho lhe deu. Tinha alguma coisa no motor que sempre encrencava. Mas você nunca jogou o carro fora. Está lá na loja, menos útil que os outros, mas tem uma história”.

Concluí: “-O Tony tem alguma coisa no motor. Ele ainda não morreu, e tem menos de 30 anos; quem sabe, um dia, ele aparecerá de motor novo. Agora ele é um desmotivado. O defeito não está nem no motorista, nem no mecânico: está nele. Não se pode culpar o mecânico toda vez que algum motor falha. Ela pode ser estrutural. No caso do Tony teremos que perguntar para Deus o que houve com aquela cabeça.

Bem e o mal são mistérios, os bons e os maus também … O Tony não é mau; só não consegue ser bom como deveria. Frank e Mary choraram e eu também, mas até hoje me pergunto como é que, depois de trinta anos, ás vezes, cinqüenta anos de bondade dos pais, um filho continua mau.

Dias atrás, um filho tentou matar a mãe e um neto esfaqueou a avó. Droga no nariz a nas veias. E eu me fiz a mesma pergunta. Não sei se um dia todo mundo será bom, mas luto e oro para que, um dia, os maus sejam poucos, muito poucos. É a isso que dedico o meu trabalho e a minha fé.

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ
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Por  – site: Padre Zezinho, SCJ

VESTI SORRISO E DOR

Bem nos começos de meu ministério, eu que me imaginara padre de batina e colarinho preto e branco, vesti batina branca e azul clara, depois uma gravata, depois guarda-pó branco, depois safári e uma cruz bem visível no peito. Minha mãe que era do apostolado de oração e fita vermelha e medalha no peito, achava aquilo estranho. Sonhara um filho padre de batina. E agora, o menino voltava dos Estados Unidos e de mangas curtas e cruz no peito, tocando violão e fazendo a meninada pular e dançar no palco e a cantar nas missas com pandeiro, bateria e violão eletrificado. Um dia, fez-me ver sua estranheza. Expliquei a ela que  ……
não sabia ler, o que era ser padre depois do Concílio Vaticano II. Levei quase uma hora para falar das mudanças que estavam acontecendo no mundo inteiro. Quando acabei ela concordou e disse- Ah bão. Se foi o papa que quis então eu tamém quero! Dali por diante dizia para as comadres atônitas: É que nossa igreja tá mudano a fala e o jeito. Quem me conhece sabe, depois, o que houve comigo e com milhares de sacerdotes e religiosas. Fácil não foi. Houve sérias resistências. Tentando se um padre pos-conciliar apanhei das direitas e das esquerdas da época. Eu não era nem de centro, nem de direita, ném de esquerda, e não era conservador nem progressista. Estava tentando ser um padre pos-conciliar que à semelhança de aprendiz de uma nova dança prestava atenção nos passos dos bispos e dos padres mais serenos para saber como ser sacerdote segundo a Igreja e não segundo este ou aquele ideólogo, este ou aquele pastoralista, este ou aquele teólogo. Todo mundo escrevia, todos opinavam, as idéias fervilhavam, cada grupo queria ver a Igreja se atualiza,mas do jeito dele.
Eu ouvia Paulo VI e nossos bispos e cardeais. Quando me acusavam de estar em cima do muro por não ser nem de centro, nem de direita, nem de esquerda eu dizia que se estava há anos em cima do muro e avançando então era porque tinha equilíbrio… A quem me chamava de quadrado eu respondia que o quadrado é o que tem a raiz perfeita… E quando até num livro sobre juventude um padre famoso da época me chamou de modernizante, mas não suficientemente transformador, concordei, com ele. Era isso mesmo que eu era. Ele sabia o que queria, mas eu não. Estava lendo,lendo e lendo desde Marcuse a Bentham, passando por Daniel Rops e voltando a William Reich. Queria entender a Igreja num mundo que se laicizava desde 1848, presa entre as injustiças do capitalismo e do socialismo, entre pífias e patéticas ditaduras e tristes pseudo-democracias. Minhas leituras de sociologia não me permitiam passar aos jovens o que eu mesmo ainda não assimilara. Quando comecei a falar e a cantar cantei frases como “No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus”. “me fez inquieto por meu povo e minha fé. Vesti sorriso e dor ao me tornar cristão”
Estava doendo em mim a Igreja Católica que se renovava. Dói até hoje, cada vez que vejo e ouço colegas pregadores famosos. Sabemos aonde estamos indo? O que precisamente estamos a dizer ao povo que confia em nós? Que Cristo e que Igreja Católica andamos anunciando?

Pe. Zezinho scj

Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com                                                        

A Doutrina dos Santos Padres acerca de Maria

Será que os Apóstolos de Cristo concordavam com a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Pois segundo os protestantes, a Igreja Católica inventou a maternidade divina de Maria no séc V durante o Concílio de Éfeso. Vejamos o que diz o Apóstolo Santo André: Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu. (Sto Andreas Apost. in trasitu B. V., apud Amad.) Veja agora o testemunho de São João Apóstolo: Maria, é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu a luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido a carne humana. (S. João Apost. Ibid) São Tiago: Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus (S. Jac. in Liturgia) São Dionísio Areopagita: Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes. (S. Dion. in revel. S. Brigit.) Orígenes escreveu: Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe (Orig. Hom I, in divers. – Sec. II ) Santo Atanásio diz:  …..

Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta. (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.) Santo Efrém: Maria é Mãe de Deus sem culpa (S. Ephre. in Thren. B.V.). São Jerônimo: Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. (S. Jerôn. in Serm. Ass. B.V.). Santo Agostinho: Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”. (S. Agost. in orat. ad heres.). Todos os Santos Padres afirmaram em amor e veneração a maternidade divina por Nossa Senhora. Me cansaria em citar todos os testemunhos primitivos. Agora uma surpresa para os protestantes. Lutero e Calvino sempre veneraram a Santíssima Virgem. Veja abaixo a testemunho dos pais da Reforma:

  1. Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.” (Martinho Lutero no comentário do Magnificat – cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor).
  2. Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste” (Martinho Lutero – Deutsche Schriften, 14,250).
  3. Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus.” (Calvino – Comm. Sur I’Harm. Evang., 20