CONVERTEDORES DE GENTE

Pensar e falar > Passei por esta experiência no último Natal. Orei por um amigo meu e disse a Deus, nas minhas preces, nem sempre bem feitas, sabendo que ele não estava nada bem de saúde, que lhe desse um natal sem dor, sereno e tranquilo com sua família. Desejei e orei, mas não o disse a ele. Amigo que somos, ele me perguntou se eu não iria desejar um Feliz Natal. Eu repliquei que já falara com Deus, pedindo por ele o melhor dos Natais. Ironicamente disse ele: – “Mas não falou comigo!” Palavras certas > Os enfermos precisam de palavras certas e boas. Pedi desculpas e desejei,  . . . .
com as melhores palavras que eu podia achar, um Natal sem dor, tranquilo e sereno e uma recuperação mais do que rápida, para o bem da sua família e dos seus funcionários.
Filosoficamente acrescentei que o Natal é festa do nascimento de quem tudo pode. Se cremos que Deus existe e que esteve entre nós, estamos a dizer que o Deus eterno que vive desde sempre o seu projeto divino veio viver conosco um pouco do trajeto humano, assumindo a condição de filho no tempo.
Fragilidade> Ele que tudo pode nasceu na fragilidade . Não é que Deus tinha que experimentar a natureza humana para nos entender. Nós é que precisamos dessa fé para sairmos de nossa prisão de medo e de tragédia. Houve um antes e haverá um depois. Quem transcende ao tempo veio mostrar a nós, do tempo e presos ao espaço, que fomos feitos para continuar. Haja o que houver, as coisas não terminam num caixão.
Falar a quem sofre > Ele meneou a cabeça e disse que iria pensar nas minhas palavras. Tinha fé e cooperaria com a ciência oferecendo sua consciência. Na verdade, concluí que estava certo ao orar a quem pode, mas errado ao não falar a quem sofre. Eu deveria ter dito a ele o que eu disse a Deus.
Sai de lá pensando que os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo que há séculos se escreve nos cartões de Natal, os de feliz aniversario, ou feliz viagem são importantes. Talvez não faça diferença para os fatos, mas faz para as pessoas ouvir uma palavra verdadeira. Faz bem ouvir palavras boas e não fingidas. Desejar de coração que alguém se recupere faz bem ao sofredor.
É uma das maneiras de ser solidário. Desejemos e falemos! Foi para isso que se criaram os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Não custa nada dizermos. Se a pessoa do outro lado de lá não responde, já é problema dela. Da nossa parte, o que deveria ser dito, foi dito.
Pe. Zezinho scj

O AVESSO DA MISSA

O bispo, preocupado com as missas da diocese, convocara os principais cantores e ele mesmo na manhã de sábado deixara claro que esperava que no Ato Penitencial, no canto à Glória de Deus, no Santo e no Cordeiro de Deus fossem escolhidas canções que o povo cantasse junto. Nada de solos. Que os cantos não fossem compridos demais. Que não se cantasse na hora do abraço da paz. Que houvesse respeito ao silêncio da ação de graças e que os músicos não tocassem naqueles três minutos de oração silenciosa. Sobretudo que não houvesse canções em tom que o povo não alcança. No dia seguinte, a    …….

cantora de voz maravilhosa que não fora ao encontro fez o avesso de tudo. Tocou e cantou tudo em tom operístico, cantou no abraço da paz e não respeitou o silêncio enfiando pelos ouvidos do povo a sua mais recente exibição, uma linda canção que nada tinha a ver com aquela parte da missa. Foi uma crise de queda de ministério quando o pároco pediu a ela que seguisse as normas dada pelo bispo. Ali mesmo e voz alta de generala, ela pediu demissão, desafiando o padre a encontrar alguém que soubesse música como ela e seus três acompanhantes… Por três semanas o padre presidiu as missas sem canção alguma, até que o pároco da cidade vizinha ofereceu um de seus grupos que cantava e tocava de acordo com liturgia.
Quem viaja há mais de 40 anos a serviço da catequese e assiste ou participa de missas no Brasil e no mundo não pode deixar de perceber a boa e a má qualidade das celebrações, por conta do presidente da assembléia, do pregador e dos músicos e cantores. Há os ótimos, os bons e os intragáveis. Não sejamos negativos. Os ótimos e os bons, felizmente são muitos. Dá gosto ouvir alguns sacerdotes a explicar a missa daquele dia. Dá gosto ouvir o coral e os músicos em algumas paróquias.
Mas o inverso da missa também existe. Percebe-se em alguns casos que nem o padre, nem cantores, nem músicos levam a sério as instruções da Igreja sobre o seu papel na celebração que não é deles e, sim, da Igreja. O povo fica por amor a Jesus Cristo. Se fosse um teatro pago esvaziaria o lugar, em protesto pelo que tem de ouvir á sua frente: pregador repetitivo que nunca se fundamenta e cantores que não ensaiam.
Os biógrafos de São Pio X registram o que ele já percebera nos inícios de 1900 a respeito da missa dos católicos. O papa autor do Motu Próprio, preocupado com a liturgia e sua dignidade via o que hoje ainda vemos: às vezes os cantores extrapolam, improvisam a missa cinco minutos antes do canto de entrada, e, seja por desconhecimento das normas, seja por desprezo das mesmas, inverte a missa: canta-se mais do que se fala e canta-se diante do povo, mas não com o povo. Somados os minutos, a missa cheia de canções compridas com refrões cansativamente repetidos, dá 40 minutos de música e 30 de fala… O templo vira anfiteatro, o altar vira palco, e a missa vira opereta. Escolhem-se canções que só o solista consegue executar. Assim, ele ou ela aparece com sua linda voz em mais uma brilhante exibição de talento para Jesus e para a assembléia. Falta penas a claque com a tabuleta escrita: “aplausos”…
Na biografia de São Pio X que governou a Igreja por 9 anos, se lê que dos pregadores ele esperava que não pregassem o enrolez, isto é, não fossem engroladores de oremus, mas preparassem os sermões e pregassem de verdade; não fossem peudo-Bossuet, imitadores de linguagens, com sermões calcados em frases óbvias, daqueles que se tira da estante sem nenhum cuidado de estudar o texto do dia. Dos cantores ele pedia mais dignidade ao cantar nas missas. Era melhor regressar ao canto gregoriano do que cantar árias de óperas na Igreja. Fugissem de cantos água com açúcar. As canções tivessem conteúdo teológico sólido e as melodias fossem adequadas a uma celebração.
Um século depois em algumas paróquias nada mudou. Não esquecendo os elogios a comunidades onde a missa é levada a sério e ninguém aparece demais, não há como silenciar diante das missas estruturadas para revelar padres e cantores televisivos. Fogem ao conceito de Celebração Eucarística. Em missas televisionadas a discrepância é ainda maior porque os câmeras, despreparados para a fé católica teimam em salientar detalhes que nada têm a ver com a celebração; gastam 70% do tempo mirando o padre, como se a missa fosse ele ou dele. Se o Cristo aparecesse em pessoa provavelmente continuariam mirando o padre, tal a força e o charme do mais novo celebrante televisivo da região. Exageros à parte reflitamos sobre a missa como ato da assembléia e não de uma ou duas pessoas.
As normas existem há séculos. Com o advento da Internet e da Televisão a missa tornou-se cada dia mais virtual. A figura do celebrante ganhou closes e relevância. Alguns não resistiram ao protagonismo e passaram a celebrar mais para as câmeras do que para os presentes, desfilando garbosos, para cá e para lá, suas vestes multicoloridas como o manto de José do Egito. Esqueceram o detalhe de que apenas presidem a assembléia e de que não estréiam mais um espetáculo de luz e de som.
A dignidade da função não permite ao presidente da assembléia que extrapole em funções que não são suas, tanto quanto não permite ao cantor que dê seu show de talento. O padre que pega do violão na ação de graças e canta sua mais nova canção procure uma boa explicação para aquele gesto, porque uma ou duas vezes em festas especiais passam, mas três vezes por mês é excesso… E aquele que insiste em improvisar a melodia do prefácio, pagando um enorme mico porque criar melodia não é dom para qualquer um, tome lições de canto. Os músicos presentes saem todos rindo do padre que começou cheio de si e acabou causando dó…
Que se reveja tudo isso! Falar, a Igreja fala, mas ouvir, nem todos ouvem! Com isso, sofre o povo que merecia sermões bem fundamentados e canções que sustentam o texto daquele dia. Quem sabe, um dia, as missas em todas as paróquias cheguem ao que os documentos da Igreja propõem que sejam…A Igreja muda devagar, mas muda! 
Pe. Zezinho scj 

Maria : Imune de toda mancha do pecado original

Estas são as palavras do Papa na introdução da oração mariana: Queridos irmãos e irmãs! Hoje a Igreja celebra solenemente a Imaculada Conceição de Maria. Como declarou o Beato Pio IX, em sua Carta Apostólica Ineffabilis Deus de 1854, Ela “foi preservada, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, imune de toda mancha do pecado original.” Esta verdade de fé está contida nas palavras de saudação do Arcanjo Gabriel: “Ave, cheia de graça: o Senhor é contigo” (Lc1, 28). 

A expressão “cheia de graça” indica   . .. . . .. .

a obra maravilhosa de Deus, que quis nos devolver a vida e a liberdade, perdidas pelo pecado, por meio de Seu Filho Unigênito encarnado, morto e ressuscitado.

Portanto, desde o século II, no Oriente e Ocidente, a Igreja invoca e celebra a Virgem que, com seu “sim”, aproximou o Céu da terra, tornando-se “geradora de Deus e nutriz de nossas vidas”, como expressa São Romano na melodia de um antigo canto (Canticum Mariae Virginis XXVem Nativitatem B.,no JB Pitra, Analecta Sacra t. I, Paris 1876, 198).
No século VII São Sofrônio de Jerusalém elogia a grandeza de Maria, porque Nela o Espírito Santo fez morada, “Tu exerce toda a magnificência dos dons que Deus jamais ofereceu a qualquer pessoa humana. Mais que tudo, és rica da presença de Deus que mora em ti”. (Oratio II, 25 in SS. Deiparæ Annuntiationem: PG 87, 3, 3248 AB). E São Beda, o Venerável, explica: “Maria é bendita entre as mulheres, porque com a dignidade da virgindade encontrou a graça de ser geradora de um filho que é Deus” (Hom I, 3: CCL 122, 16).
Também a nós é dada a “plenitude de graça” que devemos fazer resplandecer em nossas vidas, porque “o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo – escreve São Paulo – que nos abençoou com toda bênção espiritual… e nos acolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis… predestinou para sermos adotados como filhos (Ef 1,3-5). “Esta filiação recebemos através da Igreja, no dia do Batismo. A este respeito, Santa Hildegard de Bingen escreve: “A Igreja é, portanto, a mãe virgem de todos os cristãos. Na força secreta do Espírito Santo os concebe e os dá a luz, oferecendo-os a Deus de maneira que sejam também chamados filhos de Deus” (Scivias, visio III, 12: CCL Continuatio Mediævalis XLIII, 1978, 142).
Entre  muitos cantores da beleza espiritual da Mãe de Deus, está São Bernardo de Claraval, que afirma que a invocação “Ave Maria cheia de graça” é “agradável a Deus, aos anjos e aos homens. Aos homens, devido à maternidade, aos Anjos graças a virgindade, a Deus graças a humildade “(Sermo xlvii, De Annuntiatione Dominica: SBO VI, 1, Roma 1970, 266).
Queridos amigos, esperando cumprir nesta tarde, como é habitual, a homenagem a Maria Imaculada na Piazza di Spagna, dirijamos nossa oração fervorosa àquela que intercede a Deus por nós, para que nos ajude a celebrar com fé o Natal do Senhor que se aproxima.
(Tradução:MEM)

Fonte:
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de dezembro de 2011(ZENIT.org) – Às 12 de hoje, Solenidade da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria, o Santo Padre Bento XVI se aproximou da janela de seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos na Praça de São Pedro.

QUANDO O PREGADOR PERDEU A FÉ

Padres e pastores podem perder e alguns perdem a fé que pregavam. E não viram Judas por isso. Dramas de consciência não merecem julgamento de quem não os viveu. Naquela igreja, quando o famoso pastor perdeu a fé e disse ao povo que já não acreditava mais na sua Igreja nem em Deus, houve um quiproquó. No dia seguinte ele já não estava mais lá e muita gente deixou de freqüentar o templo. Dois meses depois veio outro. Muitos voltaram para ouvi-lo. Não estavam lá por causa do pregador… Quando o padre se despediu dizendo que encontrara uma pessoa que o completava e queria viver com ela; que ainda acreditava em Jesus, mas não podia servir mais a igreja daquela forma, houve quem deixou de freqüentar a …..

paróquia. Mas a maioria ficou. Não estavam lá por causa dele… As pessoas podem nos ajudar a crer mais, ou atrapalhar a nossa fé. Não podem, porém, determinar o rumo de nossa fé, porque, se determinarem, é sinal de que não acreditávamos numa doutrina e, sim, num sujeito simpático. Acabado o sujeito, acabaria a religião.
Mas é o que acontece com muita gente! Deixam de ser católicos porque ouviram dizer que um padre que nunca viram é pedófilo; deixam de ser evangélicos porque ouviram dizer que um pastor que nunca viram fugiu com o dinheiro e com a secretária; abandonam a religião por causa dos escândalos que acontecem lá fora ou perto deles.
A verdade é que religião não é para anjos. Fala deles. Mas não é para eles. Nas igrejas há missionários e salafrários, há gente sincera e gente mal intencionada, pessoas que servem a Deus e pessoas que se servem de Deus. Não há como as igrejas preverem quem será fiel. Elas acolhem, escolhem, ordenam e, ás vezes, perdoam e recolhem, mas o sujeito reincide.
Ele mesmo, ou ela mesma não muda de vida, mas quer que a igreja mude para permitir que ela continue a fazer o que sempre fez. E há os verdadeiros convertidos, que aceitam mudar de vida e de jeito porque de fato participam de uma fé.
Próxima vez que você tiver vontade de abandonar a sua igreja, pense nisso: você está lá por causa de Jesus Cristo e por causa da longa história da sua igreja, ou da curta história, mas que já vale a pena. Então não há padre ou pastor, reverendíssimo ou reverendo que possa abalar a sua fé. Se você deixar de freqüentar um templo por causa de um homem ou de uma mulher, será porque você não entendeu, nem aquela fé nem aquele templo. Ninguém batizou você em nome do padre Fulano ou do pastor Sicrano…