COM RELIGIÃO NÃO SE BRINCA

Para nós, crentes em Jesus, o milagre existe. Deus intervém. Mas não quando queremos, nem quando garantimos o dia, a tarde, o lugar e a hora. Aí, já é brincar com Deus. Jesus fez muitos milagres e se negou a fazê-los quando gente maldosa os queria para seus interesses. Deu-se o mesmo com os discípulos. Foram severos contra os aproveitadores da fé.
O milagre é de Deus, dado por meio de quem não se aproveita dele e para quem precisa de verdade. Não é para pregador se exibir anunciando como milagre o que não é, nem foi. Infelizmente muitos fiéis e pregadores se exibiram através dos milagres, que em geral se revelaram falsos. Jesus já prevenira contra esse   …..

tipo de gente que brinca com profecias, visões, milagres ou poderes, exibindo seus dotes de taumaturgos, videntes ou exorcistas.
Hoje com a televisão, a tentação ficou maior. Andam expulsando até o demônio da unha encravada. Há muita gente dizendo que viu o que não viu, anunciando visões de aparições que não existiram e milagres que não foram milagres. Um olhar atento mostra que anunciaram depressa demais o milagre por eles realizado, e apareceram no grupo ou na mídia como gente de poder. Depois ou se revela engano, ou embuste. A maioria nunca pediu desculpas. Mas prosseguiram enganando.
Milagre, aparição, revelação é coisa séria. Cuidado com quem diz que Deus lhe falou! Dê um tempo. Saberá se foi verdade.

 

O FIM DO CATOLICISMO?

Predizer e desejar a morte da mãe do outro enquanto ele é convidado a aceitar a nossa mãe como sua é desvio de conduta. O mesmo desvio cometem os que, membros de uma igreja de menos de 1 milhão de fiéis, desejam e anunciam o fim de uma igreja com 1 bilhão e duzentos milhões e convidam os fiéis da Igreja que se deseja morta a virem adorar com eles. Equivale a dizer: somos poucos, mas somos os melhores. Depois de Jesus e da sua proposta de fraternidade não há como aceitar semelhantes arroubos. Corre, pela Internet, uma “profecia” que anuncia para breve o fim do catolicismo romano. Mais ….

uma agressão a nós que, mesmo acreditando em ecumenismo, de vez em quando somos obrigados a ouvir tais rompantes e ainda ver pregadores a chutar com desprezo as nossas imagens e fiéis a quebrá-las em pleno santuário dedicado à memória da mãe do Cristo.
Dirão que alguns católicos também os ofendem, o que infelizmente é verdade e altamente condenável. Mas nada disso justifica o comportamento desses cristãos irados. Nem dos de cá nem dos de lá. A imensa maioria jamais diria ou faria tal coisa. São cristãos sensatos.
A profetiza que anunciou o fim dos católicos foi entusiasticamente aplaudida pelos fiéis presentes. Andou “bombando” na Internet. Na verdade ela apenas repete o que milhares de pregadores antes dela fizeram por razões ideológicas, religiosas ou políticas. Mas o catolicismo não acabou e os corpos dos tais profetas, se ainda existem, estão em algum túmulo esperando a ressurreição na companhia do filósofo Voltaire que também propunha que a “infame” fosse esmagada. Ele também queria o fim do catolicismo. O fim dele veio muito antes e parece que nem mesmo existe uma igreja voltairiana. Sua ira não colou!
Católicos de hoje são proibidos de querer o fim das outras igrejas. Encíclicas como a “Ut Unum Sint” de João Paulo II, deixam claro que agressões e ofensas como as do tempo da reforma e da contra ficaram para trás. Os livros daquele tempo vazavam ódio, tudo em nome da verdade mais verdadeira. É triste e é triste ler. Continua triste ver e ouvir algumas pregações que garantem que nossa Igreja será derrotada. Aos católicos não é permitido falar dessa forma. Sei disso porque leciono Pratica e Crítica de Comunicação nas Igrejas. Católico que falasse do jeito daquela pastora no mínimo será chamado às falas pelo seu bispo. Não é por aí que se evangeliza. Alguém diga isso àquela profetiza. Se queria nos ofender, conseguiu! ( Mt 5,22; 7,2)
Pe. Zezinho scj 

AZEDOU AQUELE CASAMENTO

Dezenas de acidentes podem azedar uma receita. O doce que era bom e que todo mundo elogiava, de repente, por algumas razões, acaba azedando, a tal ponto que até mesmo os donos da receita não sabem explicar o que houve. Dá-se o mesmo com os casamentos. Gente boa, que só fez o bem na vida, de repente azeda de tal maneira a sua relação que, estarrecidos os amigos reagem com incredulidade. – Eles? Não! Todo mundo menos eles! Tenho visto isso ao longo do meu sacerdócio. Amigos meus, que pareciam ser um par de pombinhos, acabam rompendo de tal maneira, que nem se olhar conseguem mais. Ele diz que não tem o que mudar e que não vai mudar. Se ela casou com ele daquele jeito é daquele jeito que vai ser até o fim. Ela diz que  …….

tudo muda, o tempo muda, os rios mudam, um povo muda e até a religião muda, então porque o mister imutável não pode fazer um esforço para saber mais, ler mais, ser mais gentil, mostrar mais presença, vestir-se melhor, adquirir bons modos, vir do trabalho na hora certa?
O debate vai longe. Ele acaba indo cuidar de seus negócios e ela dos dela. Os dois se dizem feridos e desrespeitados. Chega a hora em que um diz ao outro que já cedeu demais e dali não passa. Fiz até uma canção sobre isso; “Já não se amam”. Infelizmente acontece e acontece com gente boa. Agora, enquanto escrevo, posso lembrar pelo menos uns 50 casamentos de católicos e evangélicos que não conseguiram mais se encontrar. Acabou o encanto, a admiração e a paciência. Em muitos casos, não há outra pessoa. O que há é a pessoa que não aceita se atualizar e bate o pé dizendo que quem tem que mudar é a outra. É uma pena que o que foi tão bonito acabe desse jeito.
Quando a receita, que era boa e dela todo mundo queria uma cópia, azeda, a primeira coisa que se deve é tentar descobrir qual, ou quais ingredientes contribuíram para azedar a relação. Não demora e as filhas ou os filhos falam: falta de gentileza, um dos dois é livre demais, tem outra pessoa no pedaço, bebida, desmazelo, imposições, fuga do lar, cansaço, rotina, a mãe mudou, o pai ficou atrasado, o pai mudou demais, não lêem nada sobre as mudanças do mundo, falta religião serena e inteligente, competição entre os dois, a mãe não quer mais o pai, ela tem outro modelo de homem em mente, ele está dando uma de jovenzinho…O pai é convencido. O pai é bronco. A mãe virou dondoca…
Uma conversa em família mostra que os filhos já sabiam há tempos, os vizinhos e parentes já percebiam e ninguém tinha a coragem de enfrentar os dois. É difícil, porque, um dia, um não cede, outro dia o outro não cede e há dias em que os dois não cedem. E há os que se fazem de vítima. Um dia ele, outro dia ela. Fica realmente difícil ajudar quem acha que não precisa de ajuda, ou acha que é maior vítima. Parecem Adão e Eva discutindo com Deus. “Foi ela, foi ele, foi a serpente!”
É mais fácil ajudar aquele casal que diz: – Errei, e da minha parte vou tentar mudar. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar!” O amor vem á cavalo na humildade. Mas quando o amor bobeia, a primeira coisa que faz é apear da humildade. Orgulho ferido é mau conselheiro. Receitas que azedam devem ser revistas. Algumas delas acabam dando certo. Outras, não mais. Depende do tamanho do azedume e do grau de humildade. Quem disse que casar é fácil? Quem disse que perdoar é fácil? Quem disse que é fácil ser humilde? Quem é que gosta de ceder? 
Pe. Zezinho scj 

Baixe a pregação: O veneno do pecado

Talvez o veneno que tenha se introduzido em sua vida, a planta venenosa que entrou em sua vida, seja algum pecado. Algum pecado que se arraigou na sua vida. E você se sente até mesmo impotente diante dele [pecado]. Saiba: o Senhor, porque ama você e quer ressuscitá-lo no “Dia Final”, Ele também quer ressuscitar você agora. Grite para Senhor! Grite para Ele. Muitas vezes, nós precisamos gritar. Muitas vezes, nós somos “moles”: estamos nos afogando e não gritamos! Nós estamos sendo sufocados e não temos a coragem de gritar. Precisamos aprender a gritar. E o Senhor quer que a gente grite. Não é um grito de desespero, mas é um grito pela  …….

UM CRISTO PARA CADA GOSTO

Foi assim desde os primórdios, foi na Idade Média e continua agora na mídia religiosa e até mesmo nas ruas. Trajes, falas, orações, curas, entusiasmo, sentimentos à flor da pele, hegemonias, projeto de converter o mundo para Jesus, o nome de Jesus colado em carros, portas, peitos e traseiros, como tentativa desesperada de voltar a um passado que não pode ser re-editado nem recuperado. Ou damos ao mundo a idéia concreta e serena de Jesus ou damos o Jesus dos pregadores histéricos que querem reconquistar o mundo para ele, mas cada qual do seu jeito. Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre, mas seus seguidores não são nem  ….

devem pretender ser. O homem precisa mudar porque é um poço de contradições e de imperfeição. Não podemos querer que o mundo creia em Jesus como nós, porque somos milhares de grupos e igrejas perplexas que não conseguem nem mesmo orar o Pai nosso com as mesmas palavras. Que Jesus: de qual pregador e de qual igreja?
Criamos um Jesus do nosso jeito, ou criamos um lado e puxamos Jesus para ele. É mais fácil do que ir para o lado de Jesus. É por esta razão que os jornais de 20 de fevereiro de 2010 mais do que depressa estamparam no mundo inteiro a declaração do rockeiro militante homossexual Elton John, de que Jesus era gay. Não conseguindo ser como Jesus, o cantor sabidamente gay, declarou que Jesus era como ele. Nada a se estranhar, porque milhões de cristãos fazem o mesmo: criam um Jesus revolucionário, guerrilheiro, conservador, progressista, fundamentalista, misógino ou misólogo,curandeiro, financista, irado, violento ou cheio de preconceitos, como eles.
Ao invés de conduzirem uma reflexão serena sobre Jesus, preconizam o que Jesus diria se estivesse aqui, agora naquele templo, naquele rádio e naquela televisão. Aos gritos e certos, certíssimos, porque se consideram profetas dos últimos tempos, concluem que Jesus diria e faria exatamente o que eles estão dizendo e fazendo. É o Cristo manipulado, repintado, re-escrito e adaptado por todos. Enfim, um sanduíche religioso com as iguarias das quais gostamos. E damos a este sanduíche espiritual o nome de Jesus. Não admira que em alguns lugares haja bebidas Jesus e sanduíches Jesus. Um Jesus composto, adoçado e misturado a gosto de cada freguês… O preço? A adesão!
Os pregadores serenos e abertos ao aprendizado perderam espaço! Não possuem um Jesus macdonaldizado, que se serve depressa para crentes apressados, minutos depois do pedido e com os mais diversos sabores!
Pe. Zezinho scj 

Padre Robson Oliveira estará na ExpoCatólica

Sábado, dia 9 de Julho, no pavilhão verde do ExpoCenter Norte, Santa Missa, presidida pelo Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R., Missionário Redentorista, que trará consigo a imagem peregrina do Divino Pai Eterno em sua visita a feira ExpoCatólica, um grande evento da nossa Igreja que você não pode perder. A entrada da feira é grátis e você poderá retirar o seu convite clicando aqui.

Venha para a Santa Missa na ExpoCatólica, sua Igreja Viva!

História da RCC no Brasil

A Renovação Carismática no Brasil (1).

No Brasil a Renovação Carismática teve origem na cidade de Campinas, SP, através dos padres Haroldo Joseph Rahm e Eduardo Dougherty(2). Os rumos que a Renovação Carismática tomará a partir de Campinas serão diversos, expandindo-se rapidamente pela maioria dos Estados brasileiros. Entre algumas informações disponíveis encontramos as de Dom Cipriano Chagas que registra: – Em 1970 e 71 iniciou-se a Renovação em Telêmaco Borba, no Paraná, com Pe. Daniel Kiakarski, que a conhecera nos Estados Unidos também em 1969. – Em 1972 e 1973 Pe. Eduardo, de novo no Brasil, deu vários retiros e iniciou grupos de oração. Assim foi, por exemplo, em Belo Horizonte, em 1972, com um grupo pequeno de 8 ou 9 pessoas. – Em janeiro de 1973 o Pe. George Kosicki, CSB, que havia muito participava ativamente da Renovação nos Estados Unidos, veio a Goiânia para um retiro carismático de uma semana. A ele compareceram  ……
D. Matias Schmidt, atual bispo de Rui Barbosa, na Bahia, e vários padres e religiosas, que iriam iniciar grupos de oração em Anápolis, Brasília, Santarém, Jataí, etc. – Em 1973, perto de Miranda, no Mato Grosso, um pequeno grupo começou a ler o livro Sereis Batizados no Espírito e a rezar pedindo o dom do Espírito. Um mês mais tarde veio a eles o Pe. Clemente Krug, redentorista, que conhecera a Renovação em Convent Station, New Jersey; orando com eles, receberam o “batismo no Espírito” e o dom de línguas. – Em geral, pois, pode-se dizer que os grupos de oração surgidos em inúmeras cidades do Brasil tiveram sua origem seja nas “Experiências de Oração no Espírito Santo” do Pe. Haroldo Rahm, SJ, seja nos retiros dados pelos padres Eduardo Dougherty, SJ e George Kosicki, CSB. – Em vista da extensão que tomava a Renovação no Brasil, o Pe. Eduardo Dougherty, sentindo a necessidade de uma melhor organização, preparou com o Pe. Haroldo Rahm e Irmã Juliette Schuckenbrock, CSC, um encontro de fim de semana em Campinas, que foi o I Congresso Nacional da Renovação Carismática no Brasil em meados de 1973, ao qual compareceram cerca de 50 líderes, para discernir a obra do Espírito Santo no Brasil.

– Em janeiro de 1974 foi realizado o II Congresso Nacional da Renovação Carismática, comparecendo lideres de Mato Grosso, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, etc(3).
Em outras regiões a Renovação Carismática começa a crescer, a partir de 1974: no Norte a diocese de Santarém com Frei Paulo, em Anápolis, no Centro Oeste, com Frei João Batista Vogel, no Sul de Minas, com Mons. Mauro Tommasini na Aquidiocese de Pouso Alegre. Também colaboram como divulgadores: Pe. Schuster, Dr. Jonas e Sra. Imaculada Petinnatti, Peter e Ingrid Orglmeister, D. Cipriano Chagas, Pe. Alírio Pedrini, Frei Antônio, Ir. Tarsila, Maria Lamego, Ir. Stelita(4).
No início, a Renovação atingiu os líderes já engajados em movimentos como Cursilho, Encontros de Juventude, TLC, etc, e foi se ampliando gradativamente como uma nova “onda” de evangelização com identidade própria(5).
Em 1972, Pe. Haroldo escreve o livro Sereis batizados no Espírito(6) , onde explica o que vem a ser o “Pentecostalismo Católico”. Sendo uma das primeiras obras publicadas no país sobre o movimento, trazia orientações para a realização dos retiros de “Experiência de Oração no Espírito Santo”, que muito colaboraram para o surgimento de vários grupos de oração.
Para B. Carranza, o livro representou uma alavanca para a difusão da Renovação Carismática, do mesmo modo como o foi, nos EUA, o livro A cruz e o punhal. Além disso, tendo recebido o Imprimatur de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, bispo de Campinas na época, significou a legitimação da Renovação Carismática Católica para seu crescimento(7).
Pe. Haroldo foi o responsável em divulgar a Renovação para muitos dos que viriam a se tornar suas lideranças. A adesão de Padre Jonas Abib, logo no início deu um grande impulso para a Renovação.
Pe. Jonas Abib assim relata como veio a conhecê-la, através do Pe. Haroldo, durante um período em que passava por dificuldades em seu ministério, em Lorena, São Paulo:
Padre Haroldo veio no dia 2 de novembro de 1971. Falou-nos a respeito do que Deus estava fazendo no mundo por meio da Renovação Carismática Católica. Explicou-nos sobre a Efusão do Espírito Santo; o que eram os dons do Espírito Santo (…).
Realmente não entendi bem o que era a Renovação Carismática Católica; também não entendi o que era Efusão do Espírito nem mesmo os Dons. Porém, desejei do fundo do coração. Entendi que era o que me faltava!
Houve uma missa. No final, Padre Haroldo, ainda na sacristia, disse a nós, padres, que, se quiséssemos, ele iria impor as mãos sobre cada um, pedindo a Efusão do Espírito Santo. Ficamos sem jeito; mas pior seria dizer que não … aceitamos! (…).
O que aconteceu com os outros eu não sei; sei o que aconteceu comigo. (…) naquela noite, comecei a orar como nunca tinha orado antes. Nem era ainda a oração em línguas; o que acontecia era que a oração vinha de dentro. (…) Eu não saberia explicar. O que sabia é que antes me faltava alguma coisa, que eu pensava ser a fé; porém, o que faltava agora não faltava mais. O vazio que existia estava inteiramente preenchido.
(…) um mês e meio depois, já no começo de 1972, fui a Campinas, em São Paulo, com dez jovens (…). Tivemos a oportunidade de fazer uma “Experiência de Oração” com Padre Haroldo, na Vila Brandina. Lá comecei a entender o que era a Renovação Carismática Católica, a Efusão do Espírito Santo e seus Dons. Melhor ainda: entendi o que tinha acontecido comigo.
Naquele mesmo ano estávamos começando as Experiências de Oração no Espírito Santo, em Lorena(8) .
A partir de 1980, a Renovação Carismática consolidou-se institucionalmente, espalhando-se por todo o território nacional, vindo a ocupar um espaço significativo na mídia, seja como objeto de notícias, seja como usuária dos meios de comunicação social(9).
Em 1980, Pe. Eduardo Dougherty fundou a Associação do Senhor Jesus (ASJ). Partindo da venda de material religioso, tal como livros de formação e de cânticos, tendo em vista atingir a realização de programas de TV. Logo em seguida foi criado o programa “Anunciamos Jesus”, que em 1986, já cobria através de três redes de TV, 60% do território nacional. A partir de 1990, a ASJ fundou o Centro de Produções Século XXI, que possui três grandes estúdios de TV, na cidade de Valinhos, São Paulo. Atualmente, possui um sistema televisivo próprio com objetivo de, em médio prazo, estar com retransmissoras em todas as regiões do Brasil.
Também se destaca nos meios de comunicação a Comunidade Canção Nova. Iniciada em 1974 na cidade de Lorena, a Comunidade adquiriu em 1980, em Cachoeira Paulista, uma Rádio e mais adiante, em 1989, conseguiu uma concessão de TV. Através da Fundação João Paulo II, a Rede Canção Nova TV é o canal católico que mais cresce no Brasil, possui retransmissoras em todas as Regiões do país, estando também presente na Itália e Portugal.
É também a partir de 1990 que acontece a grande “explosão” da Renovação Carismática que atinge milhões de brasileiros. Antônio F. Pierucci e Reginaldo Prandi, por ocasião das eleições de 1994, realizaram um levantamento quantitativo sobre a Renovação Carismática no Brasil (Tabela 3)(10).
Tabela 3. Religiões no Brasil – população adulta
Religião No. Total de fiéis
(em milhões)
Católicos: Tradicionais
                  Carismáticos
                  CEBs
                  Outros Movimentos
61,4
3,8
1,8
7,9
Evangélicos: Históricos
                        Pentecostais
3,4
9,9
Kardecistas 3,5
Afro-brasileitros: Umbanda
                              Candomblé
0,9
0,4
Outras 2,0
Nenhuma 4,9
O resultado apresenta três milhões e oitocentos mil como o número de católicos carismáticos no conjunto da população brasileira adulta, sendo que 70% deles são mulheres; a maioria possui um expressivo contingente de donas de casa (24%), a maior parte dos que estão ocupados são funcionários públicos (22%).
Trata-se de um número muito elevado, pois era praticamente igual ao total de evangélicos que seguem as denominações protestantes históricas; sendo menos de um terço dos evangélicos pentecostais; o dobro dos católicos das comunidades eclesiais de base (CEBs); número similar ao de espíritas kardecistas; e quase três vezes o total dos adeptos das religiões afro-brasileiras(11).
Estudos mais recentes, contrariando alguns prognósticos da não expansão da base social da Renovação para além da classe média, indicam que o movimento também chegou às camadas trabalhadoras dos bairros populares, onde há uma tendência ao crescimento acelerado(12).
Atualmente, a Renovação Carismática encontra-se presente em todos os Estados e também no Distrito Federal, com 285 coordenações (arqui)diocesanas organizadas e cadastradas junto ao Escritório Nacional.
Em estimativa feita no final deste ano de 2005, junto às coordenações estaduais da RCC, contabilizou-se como aproximadamente 20.000 o número de grupos de oração em todo o Brasil, isto sem contar as comunidades de vida, de aliança, associações e inumeráveis outras atividades de apostolado, ligadas à RCC.

Legendas

1-Síntese realizada a partir da obra de VOLCAN, Marcos Dione Ugoski. Renovação Carismática Católica: uma leitura teológica e pastoral. Tese de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2003.
2-Nos últimos anos, surgiram alguns estudos sobre a história da Renovação Carismática no Brasil. Entre os mais recentes citamos a obra de Ronaldo de Sousa – Instituição e Carisma: relações de poder na RCC. Aparecida: Editora Santuário, 2004. – e a de Brenda Carranza – Renovação Carismática Católica: origens mudanças e tendências. Aparecida: Editora Santuário, 2000 –, que procura detalhar esta fase inicial, avaliando também que influência e contribuição ambos os padres desempenharam no rumo que o movimento terá a partir de Campinas.
3-CHAGAS, Cipriano, OSD. A descoberta do Espírito e suas implicações para uma transformação eclesial – um estudo sobre a Renovação Carismática. Tese de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ, 1976, p. 46-47.
4-Cf. RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA. A espiritualidade da RCC. São José dos Campos: Fundec, s/d., p. 14. (Módulo 1, Encontro 1).
5-Cf. Cf. Idem, Ibid.
6-Cf. RAHN, Haroldo J.; LAMEGO, Maria. J. R. Sereis batizados no Espírito. São Paulo: Edições Loyola, 1972, p. 25.
7-Cf. CARRANZA, B. Op. cit. p. 33.
8-ABIB, Jonas. Canção Nova: uma obra de Deus. São Paulo: Edições Loyola, 1999, p. 16-17.
9-Cf. CARRANZA, B. Op. cit. p. 33.
10-Cf. PIERUCCI, Antonio Flávio; PRANDI, Reginaldo. A realidade social das religiões no Brasil. São Paulo: Editora Hucitec, 1996, p. 211-237. Tudo indica que esta foi, até o momento, a principal pesquisa com dados estatísticos significativos sobre a Renovação Carismática no Brasil.
11-Cf. PRANDI, Reginaldo. Op. cit. p. 34.
12-Cf. MARIZ, Cecília Loreto. Católicos da libertação, católicos renovados e neopentecostais. In: CERIS. Pentecostalismo, Renovção Carismática Católica e Comunidades Eclesiais de Base. Uma análise comparada. Cadernos do CERIS, Ano I, n. 2, p. 17-42, out. 2001.